Chefe de Fiscalização do Serviço de Migração e Estrangeiros acusada de agredir e manter cidadã em cárcere privado com dois filhos menores
A cidadã nacional Rosa André Chimbamba Panjambe, de 30 anos de idade, acusa a Chefe de Fiscalização do Serviço de Migração e Estrangeiros (SME), de agredí-la fisicamente e de mantê-la em cárcere privado, sob vigilância de 08 agentes, à frente de seus filhos menores, de 2 anos e o outro de apenas um mês de vida.
Por: Solange Figueira
A denunciante conta que tudo aconteceu na sexta-feira passada (dia 03), quando a mesma recebeu uma ligação ao telemóvel da Chefe de Fiscalização do SME, Isabel Ngola, pedindo para que comparecesse na instituição para receber o passaporte do seu esposo, de nacionalidade indiana, Hitesh Kamal Pajanbi, de 30 anos de idade, que desde 2020 sofre alegada perseguição por parte do seu antigo patrão. Por esta razão, foi deportado duas vezes para a Índia.
Quando a mesma se fez presente ao local combinado, constatou que tudo não passava de uma armadilha tendente a deter o seu marido e leva-lo para a cadeia."
De acordo com Rosa Pinjanbe, o seu esposo está em Angola há 09 anos, e possuía visto de trabalho. Porém, em 2020, o seu chefe, que tem uma empresa de exportação e importação, foi acusado de contrabando. "Sou parturiente, dei à luz ao meu segundo filho há um mês, fui pegar o passaporte do meu esposo, porque ele está sendo perseguido pelo seu antigo chefe", declarou.
Disse que o passaporte estava retido, desde que foi preso no mesmo ano por contrabando que o chefe dele faz até hoje.
"Saímos de casa às 7 horas, porque a senhora Isabel assim exigiu e ficamos à espera dela até às 15 horas. Quando ela me atendeu pediu-me um milhão de Kwanzas para comprar um bilhete de passagem para o meu marido regressar para a Índia. Eu disse que não tinha, e ela chamou 8 agentes: dois ficaram na porta e 6 agentes estavam dentro da sala. Um deles deu quatro chapadas na cara do meu esposo. Dois agentes seguraram os meus bebês. A Dona Isabel mandou os agentes me agredirem", descreve, acrescentando que fecharam-na numa sala por 3 horas.
"Eu disse a ela que se não abrissem a porta, eu deveria pular pela janela. Mesmo assim, continuaram a bater em mim. Fui para a janela apenas para pedir socorro, mas ninguém me ajudou", revela.
A Senhora não tem dúvidas que o antigo chefe do seu esposo esteja a pagá-los para essa humilhação porque passa.
"Estamos neste corre-corre há 5 anos. O meu marido foi deportado, pela primeira vez, quando nosso primeiro filho tinha dois meses de vida", lembra.
Refere que antigamente, aqui no SME, quem os atendia era o Senhor Tomás e o Senhor Ex- Chefe de Fiscalização do SME. "Outros dois senhores que sempre me atenderam, desde 2020: Nelson Zunguila e Fernando", informou.
Escreveu três cartas ao novo Director do SME, mas nunca as respondeu. Tem a certeza que o referido Director nem sabe da sua situação, ou seja, as cartas não têm chegado a ele.
"Mesmo com a surra que me deram, prenderam o meu esposo na Migração e Estrangeiros do bairro do Trinta desde a última sexta-feira. Estou desesperada. Somos casados há um ano. Meu filho mais velho, de dois anos, chora muito, e sente falta do pai. A Dona Isabel sabe que dei à luz agora, mas mesmo assim não teve piedade de mim", disse, salientando que depois da agressão, chamou a polícia da Maianga.
"Fui algemada, empurrada no porta-bagagem do carro da polícia com muita agressão. Deram os meus filhos a duas agentes", lamentou.
Já na esquadra, disse, pediram para que a queixosa ligasse para um familiar no sentido de irem buscá-la. Foi assim que conseguiu a liberdade.
Revelou, por outro lado, que a Dona Isabel disse-lhe que tinha dinheiro guardado em casa, fazendo fé às declarações do seu marido.
"Não tenho dinheiro em casa. Meu esposo, mesmo estando preso, não tem processo no SIC, nem no tribunal", asseverou.
Nesta segunda-feira, o SME deliberou que o cidadão indiano está proibido de entrar em Angola por 10 anos.
A sua esposa acusa a responsável pela inspecção, Dona Isabel, de ter tirado 50 mil Kwanzas da sua pasta, e recebeu documentos, dentre Bilhetes de Identidade e os documentos de casamento; e um telemóvel novo do seu marido.
"O meu marido, na esquadra do 30, foi com 70 mil kwanzas no bolso, mas também foram recebidos. Estou com muitas dores no corpo por causa da porrada que recebi", revelou, referindo que chorou muito e implorou pelos seus filhos que estavam sob cuidado de duas agentes, enquanto a ofendiam alegadamente a mando de Isabel.
A nossa equipa de reportagem visitou as instalações do Serviço de Migração e Estrangeiros na manhã desta segunda-feira, 06.
Tentou falar com o Director, mas não esteve presente. No entanto, foi recebida pela Superintendente de Migração Domingas Mendonça, que é a Diretora do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa da Instituição.
Ela afirmou que as informações que chegaram ao seu gabinete indicam que, na sexta-feira, havia uma senhora que tentou cometer suicídio.
"Não temos conhecimento das agressões sofridas pela Senhora Rosa", disse, tendo prometido investigar para apurar os factos.
"Não sabemos também se o novo Director, algum dia, recebeu as cartas que a senhora menciona", declarou.








