Centralidade do Kilamba: Esposa do Director da Imogestim acusada de usurpar apartamento há 09 anos
O cidadão Luís Pedro Bessa Teixeira, proprietário do apartamento 14, tipologia T3, Bloco T6, na Centralidade do Kilamba, acusa a senhora Bernarda Mariza Martins, esposa do Director da Imogestim, de usurpar e apropriar-se do seu apartamento desde o ano de 2016, situação que, até aos dias de hoje, embaraça a sua vida.
Por: Solange Figueira
O denunciante alega que participou de um concurso público em 2012 e recebeu o apartamento em Abril de 2013, com a intenção de fazer uma surpresa para a esposa. Ele colocou um primo a viver no apartamento, que viria a falecer em 2016. Foi nesse período que a saga começou.
Sem saber do falecimento do primo, o denunciante encontrava-se em uma missão de serviço na República Democrática do Congo, e o apartamento ficou fechado por algum tempo. Quando regressou a Angola, tomou conhecimento do falecimento do primo e decidiu ir ao apartamento, onde se surpreendeu com gradeamentos postos nos acessos ao interior da casa.
Nesse momento, teve conhecimento de que havia uma senhora a viver no apartamento casa, fazendo-se passar por dona.
Segundo Luís Bessa Teixeira, por reivindicar o seu apartamento, está a sofrer ameaças, perseguições e tentativas de assassinato. "Faço uma denúncia pública, acuso directamente o director da Imogestim, que agora é Fundo de Habitação, senhor Rui Cruz, e a esposa dele, Mariza Marques, de quererem matar-me por causa do meu apartamento", expôs.
Quem pôs a dona Mariza a viver foi o senhor Rui Cruz, por sinal, seu marido. "Recebo ameaças de morte por mensagens e chamadas telefónicas, constantemente. Estou a viver de renda, a fugir de bairro em bairro a todo momento", descreveu.
A primeira vez que viu a senhora Mariza, abordou-a na escada do prédio, e ela ligou para o seu marido, Rui Cruz. Ele recebeu-o no gabinete dele, mas quando Luís ia constantemente, durante 03 meses, ao seu gabinete pedir para falar com ele, diziam que estava de viagem de trabalho.
"Depois da senhora que usurpou ligar para ele, reuniu-se conosco, na presença da minha esposa.
Confirmou que foi ele que pôs a invasora a ocupar a minha casa e prometeu abandoná-la num período de 3 meses, o que não aconteceu", lembra.
A senhora continua a viver lá, e Luís não sabe "quão rica ela é para comprar todo mundo: os tribunais, o SIC, até os advogados".
Teve uma advogada que o traiu, e Mariza não tinha documentos da casa. Por meio da advogada, tiveram acesso aos seus documentos legais e fizeram cópias, baseando-se nos documentos verdadeiros, em nome da "usurpadora".
Quando pôs o seu primo a viver no apartamento, no seu interior havia mobília e a cozinha estava bem apetrechada.
Aquando da invasão, a mobília permaneceu dentro.
O Senhor Rui Cruz disse ao queixoso que a senhora Mariza também tinha tido a casa invadida, por isso estava no seu apartamento.
Desde que começou este litígio, Luís já foi detido em 07 vezes, imputando-lhe crimes que nunca cometeu.
No Fundo de Habitação, está registado o seu nome como dono do apartamento, e continua a pagar a renda resolúvel todos os meses. Mas a acusada vive no apartamento sem pagar nada. Mesmo assim, não consegue reavê-lo.
Luís fez várias denúncias ao SIC Geral, e o número do seu processo na PGR é n.º 3177/22-B, no SIC 3471/22/03. "Peço socorro ao Presidente João Lourenço! Querem me matar por causa da minha casa", recorreu, adiantando que quem estava com o seu processo no SIC Geral era o instrutor Wilson Bunga, mas ultimamente aliou-se à acusada e abandonou o queixoso.
Ruth Bessa Teixeira, esposa do denunciante, conta que o seu esposo sofreu três tentativas de morte.
"A primeira vez que o meu esposo foi perseguido foi no portão da casa da irmã dele. Apareceram dois jovens em uma motorizada, mostraram a arma e lhe receberam os pertences. Havia muita gente na rua deles, não conseguiram matá-lo", conta.
A segunda vez, segundo a esposa, havia dois carros parados nos portões de casa, à espera dele. "Eu e o meu filho saímos e atiramos pedras contra os carros e eles foram embora", afirmou, acrescentando que na terceira vez, perseguiram-no na estrada, em uma motorizada e um carro Hyundai I10. "Enviaram-lhe uma mensagem, pedindo para ele parar de lutar pela casa", disse. Os ameaçadores dizem, na mensagem, que caso continue, vão matá-lo e matar toda a sua essência.
"Fomos chamados na Imogestim, que hoje é Fundo de Habitação. Ouvimos de um funcionário que a rede que usurpa apartamentos no Kilamba é grande. Todos sabiam que nós estávamos a fazer um pedido de legitimidade da casa", confirma.
Disse ainda que na primeira vez que fizeram participação na esquadra do Kilamba, não tiveram sucesso, e o processo desapareceu. "Fizemos participação no comando geral, e o processo também supostamente desapareceu. Estamos revoltados com esta situação", revelaram.
A nossa equipa de reportagem entrou em contacto com a suposta invasora, Senhora Mariza Marques, por telemóvel, e ela alega ser a dona do apartamento. "O apartamento é meu. O Senhor Bessa Teixeira explicou tudo? Eu não vou falar convosco sem antes falar com o meu advogado. O Senhor Bessa levou-me ao SIC. Tem dois sítios onde vos indico para irem buscar respostas: ao SIC e ao Fundo de Habitação", reagiu.
Falou também com Wilson Bunga, instrutor que estava com o caso no Serviço de Investigação Criminal (SIC) Geral, mencionado pelo denunciante como amigo da suposta invasora. E reagiu nos seguintes moldes: "assuntos relacionados ao meu serviço devem ser tratados no local de trabalho, na direcção do SIC Geral. Vão contactar a direcção que está com o processo. Vão também até à PGR, saber do processo, e os processos devem estar devidamente identificados".








