No Talatona: Agentes do DIIP acusados de torturar e alvejar quatro seguranças da empresa Konda Marta
O presidente da empresa Konda Marta, Daniel António Neto, acusa efectivos da Secção Municipal de Investigação de Ilícitos Penais (SMIIP) de Talatona de terem alvejado quatro seguranças privados, no dia 30 de Outubro do corrente ano, depois de os terem torturado.
Por: Solange Figueira
Segundo o responsável, o incidente ocorreu por volta das 22 horas do referido dia, quando as vítimas, desarmadas, guarneciam um espaço naquela circunscrição.
De acordo com o nosso entrevistado, às vítimas foram surpreendidas por duas patrulhas da Polícia Nacional, das quais terão descido cerca de 15 agentes devidamente identificados com coletes do DIIP e armados com armas de fogo.
Sem qualquer motivo, conta, começaram a agredir os seguranças, provocando ferimentos graves e, em seguida, efectuaram disparos contra eles.
“Os agentes do DIIP estavam encapuzados e vieram mesmo com a intenção de matar, porque efectuavam disparos à queima-roupa”, declarou Daniel Neto.
"Durante as agressões, o primeiro segurança foi ferido na cabeça e atingido com quatro tiros no peito, sendo depois lançado para uma vala.
O segundo foi atingido por dois disparos um na região lombar e outro no braço. O terceiro fracturou o braço esquerdo e foi ainda baleado na região do glúteo", denunciou.
O quarto, acrescentou, foi atingido nas costas e no braço direito.
De acordo com o presidente da empresa, o mandante do crime seria, supostamente, o senhor Sebastião Manuel António, oficial da esquadra do Chinguar, afecto ao Comando Municipal do Talatona.
“Aquilo foi um campo de batalha. Eram tiros por todos os lados”, relatou.
Segundo o entrevistado, o referido oficial tem o hábito de usurpar terrenos na zona da Camama, com o apoio de dirigentes de alta patente, comercializando-os posteriormente ou estabelecendo parcerias com empresários. O episódio violento teria ocorrido quando Sebastião António tentou ocupar à força um espaço pertencente à empresa Konda Marta, acusou o entrevistado.
“Somos os legítimos proprietários do espaço, reconhecidos pelo tribunal. Mesmo assim, ele não respeita e quer impor as suas próprias leis”, frisou Daniel Neto.
O empresário acrescentou que o oficial em causa tem o costume de deter trabalhadores e o próprio proprietário, imputando-lhes falsos crimes.
Recordou ainda que, numa detenção ocorrida em Setembro de 2024, agentes da mesma esquadra terão apreendido o telemóvel do PCA da empresa, e não foi devolvido até à presente data.
Ouvidos por este jornal, os seguranças Lopes José e Albino Ndila, confirmaram que, além dos agentes do DIIP, participaram na acção elementos da Polícia de Intervenção Rápida (PIR) e do Serviço de Investigação Criminal (SIC), todos fardados e mascarados.
Segundo as vítimas, a operação durou cerca de 20 minutos.
“Estávamos trajados com casacos pretos com a inscrição Segurança, desarmados e indefesos. Mesmo assim, não fomos poupados. Só não morremos porque fomos socorridos por camponeses que trabalhavam nos arredores e levados a uma unidade hospitalar”, relataram.
O assessor jurídico da empresa Konda Marta, Joaquim Paulo, repudiou o acto criminoso cometido supostamente pelos agentes e apelou à intervenção das autoridades competentes para que o caso não fique impune.
Contactado pelo Na Mira do Crime, o porta-voz do DIIP, intendente Quintino Ferreira, afirmou desconhecer a ocorrência.
“Não tenho conhecimento deste facto. Também não recebemos nenhum elemento de qualquer instituição que tenha participado na ocorrência”, concluiu.








