Apertaram os testículos até desmaiar: Agentes da polícia do Lar do Patriota acusados de espancar aluno de 16 anos no interior do Complexo Escolar 9041
Familiares de um adolescente, identificado por Manuel Narciso, de 16 anos de idade, aluno do Complexo Escolar 9041, uma escola do Estado, que está localizada junto a administração do Patriota, acusam a professora de língua portuguesa, da 8ª classe, conhecida por Ginga Liliane Mateus, de mandar agentes polícia para o agredirem.
Por: Solange Figueira
De acordo ainda com familiares, a vontade de ver o rapaz a sofrer era tanta que os agentes da polícia da esquadra do Lar Patriota apertaram os seus órgãos genitais, ao ponto de desmaiar, de tanta dor.
Alegam que toda a agressão aconteceu à frente da Directora Pedagógica do Complexo Escolar, que nada fez para acalmar a situação.
A vítima ficou surpreendida quando soube que foi acusada de pretender matar a professora, refutando tal tendência. Segundo Manuel Narciso, o denunciante, é a primeira vez que tal prática acontece; nunca teve problemas com a professora. Não entende o que realmente aconteceu.
"Fui injustamente acusado pela professora Ginga, me ofendeu na sala de aulas e fez acusações falsas contra mim. Por causa disso, fui levado de forma violenta por agentes da esquadra do Patriota, sofri agressões físicas e fui tratado como marginal, sem ter feito nada. À frente da directora da escola, deram-me muitos golpes, socos e pontapés. O mais doloroso foi quando me apertaram nos testículos e desmaiei", conta o adolescente.
Refere que a sua mãe foi avisada sobre a sua detenção na esquadra por um dia, tendo sido suspenso no dia seguinte. "Quero que a verdade seja esclarecida, a professora está a mentir, me chamou de drogado, eu não me drogo, disse que eu falei que vou chamar os meus amigos para baterem nela e a matarem; também é mentira, nada disso aconteceu", negou.
Cândida Margarida, mãe da vítima, lamenta o ocorrido e diz que o seu filho nunca apresentou comportamentos agressivos com ninguém. "O Manuel estuda naquela escola desde 2024. Foi a directora pedagógica quem o tirou da sala de aula, levou-o para a secretária, onde estavam os agentes da polícia, pediram-lhe para os acompanhar até à esquadra. Ele ficou assustado e resistiu. À frente de todos, na secretaria, foi agredido por dois agentes da polícia, levou socos no peito e nas costas, apertões fortes nos braços, e eles ainda tocaram nas partes íntimas dele com muita força, o que foi extremamente humilhante", narra, acrescentando que bateram nele na testa e no peito com recurso a uma pistola.
A mãe disse ainda que o filho diz que tudo isso aconteceu sem ele ter feito nada de errado e sem nenhuma explicação justa.
"O marido da professora, que é coronel, ameaçou-nos e disse que vai pôr um documento em todas as escolas do Estado para que nenhuma o receba. Por esta razão, a escola ligou-me para eu levar uma cópia do Bilhete de Identidade dele. Levei-o, seguidamente, colaram na escola um documento dizendo que ele está suspenso por três meses. O Manuel não é criminoso. Queremos que a justiça seja feita", insistiu.
Disse ainda que, na esquadra, não deram nenhum documento de detenção. "Ficou com dor no joelho esquerdo, sente dor quando marca alguns passos. Fomos para o Hospital Geral de Luanda e receitaram alguns comprimidos. Neste momento, ele está em casa deprimido, porque gosta muito de estudar. Nunca tivemos reclamações sobre o comportamento dele. Por isso, estamos confiantes na inocência dele", convenceu-se a mãe.
A nossa equipa de reportagem entrou em contacto com a direcção do Complexo Escolar 9041 e falou com a Diretora Pedagógica, senhora Esperança Baptista, que diz que tal facto foi devidamente apurado e que tudo já está resolvido com o pai da vítima.
"Já houve deferimento. Não sei porquê ainda está a se tocar neste assunto. O pai esteve na escola e tudo foi encaminhado. Para qualquer informação, dirijam-se à instituição", orientou.








