Justiça por mãos próprias? Jovem acusado de roubar caixa de pratos num restaurante na Gabela morto à pancada supostamente pelos donos do estabelecimento
Três cidadãos identificados por Ivo Adelino, Moicano e Manucho estão a ser acusados de espancar barbaramente um jovem que, em vida, atendeu pelo nome de Lemos Carlos Júlio, conhecido no bairro por Pai Lemos, de 33 anos de idade. O malogrado trabalhava como lotador de táxi e foi acusado pelos seus agressores de ter roubado uma caixa de pratos num restaurante que está fechado há mais de 8 meses.
Por: Solange Figueira
De acordo com a irmã do malogrado, Ana Cardoso, o seu irmão foi mantido em cárcere privado numa fazenda pertencente ao mandante do crime. "O senhor Ivo, o Moicano e o Manucho começaram a bater o meu irmão às 14 horas e só terminaram às 17 horas, e ainda filmaram a acção bárbara".
"Vimos os vídeos do meu irmão a agonizar e a pedir socorro. Ele nunca roubou ninguém, sempre trabalhou, é conhecido por todos no bairro por ser um bom moço. Depois da surra que lhe deram, eles não o socorreram, deixando-o sozinho na fazenda. Nos apercebemos e fomos resgatá-lo. Ele chegou ao hospital vivo, mas os ferimentos eram muito graves que o jovem acabou por morrer no dia seguinte", relatou.
"Clamamos por justiça, o senhores Ivo e os parentes dele são criminosos; todos eles devem pagar pelo sangue que derramaram do meu irmão", exigiu.
Filomena Lucas, mãe do Lemos, pediu ajuda à sociedade. "Os assassinos do meu filho são terroristas, têm coração negro. Sabemos daquele ditado: quando uma mãe chora, todas as mães choram. É uma vida perdida. Eu perdi o meu filho, meus filhos perderam o irmão deles. Eles fizeram vídeos, mostrando o meu filho amarrado nos pés e nas mãos como se de um cabrito se tratasse".
"Pedimos ajuda à sociedade, especialmente aos órgãos de justiça para que os criminosos sejam responsabilizados", rogou.
Depois de algumas investigações, o Na Mira do Crime contactou um dos acusados, no caso Ivo Adelino, com o objectivo de dar a sua versão dos fatos.
"O que ocorreu está a se considerar como homicídio, mas não é homicídio; são ofensas corporais graves", disse.
No domingo passado, continuo, "recebemos uma denúncia de que no restaurante em questão entrou um ladrão. Desde que o restaurante foi aberto, já sofreu vários roubos. Por isso, tivemos que o fechar. Porém, não tiramos os bens materiais que estavam dentro; ainda temos algum pessoal que frequenta e controla o restaurante. Eu estava na Quilandela a ver o jogo. Da Gabela para a Quilandela, não há rede. Quando cheguei, encontrei a população a bater no marginal, que, por sua vez, mora perto do restaurante. Pegamos nele e levamo-lo até à casa da mãe dele. À frente da mãe, dei-lhe quatro chapadas no rosto, ele fugiu e os amigos o acolheram. Ele também roubou em outros bairros, onde apanhou surra do soba e da população", narrou, reconhecendo que foi encontrado debilitado, por ter sido agredido em todos os bairros por onde passou, e acabou por falecer no hospital.
Conta ainda que os vídeos foram feitos à frente da mãe dele, que ainda "nos disse que ele tem hábito de roubar, por isso, a herança que o pai dele deixou já não existe por causa dos crimes que ele cometia".
"Ele roubou a TV plasma de 52 polegadas, colchões e caixas de louça. Estamos a ser perseguidos, por conta da visibilidade que temos; é uma perseguição de pessoas que querem manchar a nossa imagem", considerou, sublinhando que o restaurante está a ser reabilitado para também ser uma hospedaria. "Quem bateu até à morte foi a população de outros bairros", apontou.








