Dizem que estão a promover os filhos: Efectivos da Polícia de Intervenção Rápida (PIR) denunciam corrupção e nepotismo das chefias
Um grupo de efectivos da Polícia de Intervenção Rápida (PIR) de Angola tornou pública uma
carta dirigida ao Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, e ao ministro do Interior, Manuel Homem, na qual denuncia alegadas práticas de corrupção, nepotismo e abuso de poder no interior da corporação.
Por: Kihunga Bessa
Na missiva, os signatários afirmam que a corrupção deixou de ser um fenómeno pontual e passou a constituir uma prática recorrente, alegadamente sustentada por esquemas de favorecimento que colocam laços familiares e tráfico de influência acima de critérios como mérito, tempo de serviço e desempenho profissional na progressão das carreiras.
Os denunciantes apontam altas patentes da PIR, de alegadamente facilitarem práticas de favorecimento a familiares e aliados, bem como permitir o uso indevido da autoridade em benefício de um grupo restrito, em detrimento da maioria dos efectivos.
A carta menciona igualmente chefes dos Recursos Humanos da PIR, de alegadas irregularidades consideradas graves, incluindo venda de patentes, alteração de documentos oficiais e manipulação de processos administrativos para beneficiar filhos, familiares e membros das chefias.
Segundo os efectivos, enquanto estas práticas ocorrem, agentes antigos permanecem sem progressão na carreira.
De acordo com a denúncia, efectivos que ingressaram na corporação entre 2015 e 2017, oriundos do concurso público de 2014, continuam sem promoções consideradas justas, apesar de anos de serviço, disciplina e cumprimento rigoroso das funções.
Em contrapartida, jovens com menos de três anos de serviço, alegadamente filhos de altos responsáveis, têm sido promovidos sem critérios claros e sem transparência.
O documento cita nomes de supostos beneficiários de promoções consideradas irregulares, entre os quais “Dúlcia”, “Rosimeury”, “Osvaldo”, “Policarpol”, “Hénio” e “Iraselma”, citamos
apenas os primeiros nomes, apontados como familiares de responsáveis do Departamento de Recursos Humanos, do Estado-Maior da PIR e de chefias administrativas.
Apesar do sentimento de injustiça relatado, os denunciantes afirmam que continuam a desempenhar as suas funções operacionais, em turnos prolongados e sob risco constantes, assegurando o cumprimento das ordens superiores e o compromisso com a segurança pública.
Na carta, os efectivos sublinham que não reclamam privilégios, mas exigem justiça, igualdade de tratamento e respeito pela legalidade, apelando às mais altas autoridades do país para a abertura de uma investigação séria, imparcial e rigorosa.
Defendem, por outro lado, que o mérito profissional deve prevalecer sobre vínculos familiares ou influências pessoais.
Os signatários concluem alertando que uma polícia desmotivada e injustiçada fragiliza o Estado e que o desenvolvimento de Angola não pode assentar no silêncio e no sofrimento dos seus próprios servidores.
Contactado pelo Na Mira do Crime, o porta-voz da Polícia Nacional, subcomissário Mateus Rodrigues, afirmou que a instituição irá pronunciar-se oportunamente sobre as acusações.











