Investigação no interior da empresa LEOCEAN PARK em Luanda aponta para existência de uma associação criminosa de chineses envolvidos em fuga ao fisco, abuso de confiança e auxílio a imigração ilegal
O Na Mira do Crime segue uma investigação aturada contra um grupo chinês de vendas de fardos e calçados a grosso, que actua em Angola, no interior da empresa LEOCEAN PARK, localizados no Centro Industrial e Comercial LEOCEAN PARK, município do Kilamba, Avenida, Fidel de Castro Ruz, Sapú II, Bita (Mutamba).
Por: Kihunga Bessa e Ngunza Chipenda
Entre várias irregularidades, há denúncias de falsificação de balões de fardos e calçados, fuga ao fisco, jogatinas, auxílio a imigração ilegal, abuso de confiança, prostituição, entre outras situações criminosas.
"Eles estão com fortes dívidas com a Administração Geral Tributária (AGT) de mais de 30 milhões de kwanzas", atirou uma fonte interna.
"Estes grupos de chineses instalados em Angola, por conta da corrupção que se nota em algumas instituições do Estado, pensam que estão acima da lei angolana, e por isso fazem o que bem entendem", atirou a nossa fonte.
Explicou ao Na Mira do Crime que, nesta empresa, existem armazéns e depósitos, denominados (G3 "garagem", armazém não legalizados), que fazem vendas ilegais dos seus produtos, escondidos da Polícia Aduaneira e da AGT.
Durante a nossa investigação no local, identificamos três cidadãos chineses, cabecilhas do grupo, duas senhoras, "aparentemente de 48 e 55 anos de idade" e um homem que aparenta ter "55 anos", e alguns trabalhadores angolanos de confiança dos mesmos, que fecham sempre a porta quando a fiscalização está em trabalho.
No local, existe uma zona onde chamam de G6, "garagem" de depósito de máquinas, que na verdade servem de falsificação de balões de fardos.
Uma nota, estas máquinas estão sempre em funcionamento, longe dos olhares das autoridades fiscais.
Trabalham de segunda a segunda (salvo alguns domingos que não têm trabalhado). Para a mão de obra barata, cidadãos nacionais, não há segurança no trabalho, trabalham com as roupas que levam ao corpo, de chinelos, sem luvas ou capacetes.
No mesmo local, está um armazém sem segurança contra incêndio, onde é depositado todo o produto.
Esse mesmo deposito, segundo apuramos, opera ilegalmente e deve milhões de kwanzas a Administração Geral Tributária (AGT), e, em conversa com algumas fontes, explicaram que está em nome de um jovem angolano.
No G16 e G17, estão "duas garagens onde guardam milhares de balões de fardos e calçados fora de uso e em mau estado de conservação, escondem no teto de esferovites e, é exactamente onde fica o escritório escondido do cidadão chinês, que aparenta ter 55 anos de idade, que vive a vida fumar naquele local.
"Eles trazem várias cargas e descarregam vários contentores de fardos e calçados fora de uso, e vendem a preços exorbitantes. Todas as semanas levam várias mercadorias dos mesmos produtos em províncias como Huambo, Benguela, Bié e Huíla", atirou um trabalhador indagado pelo Na Mira.
Os jovens, maioritariamente provenientes do sul de Angola, contam que trabalham de segunda a segunda (das 6horas até às 18h00), algumas vezes trabalham aos domingos, descansam quando não tem carregamento de camiões ou descargas de contentores.
Dizem que a empresa não tem contrato de trabalho com nenhum funcionário, alguns estão há vários anos, trabalham todos os dias mais de 10 horas, sem alimentação, sem segurança no trabalho, sem férias, trabalham até os feriados, sem subsídio de saúde e, quando está doente, são obrigados a se fazer presente, sob pena de serem expulsos sem nenhuma indemnização. Ou seja, estão diante de uma escravidão moderna.
Os salários, contam, rondam entre 45 e 20 mil kz, e são pagos nos dias 15 de cada mês, e muitas vezes descontam entre 2 a 5 mil kzs em caso de alguma falha no trabalho, o que os mesmos defendem que tem sido feito de forma injusta.
Ao cair da noite e de madrugada acontece de tudo um pouco, para além da existência de empresas fantasmas que se confundem com a empresa central, que serve para disfarçar outras actividades.
A falta de investigação por parte do Serviço de Migração e Estrangeiros (SME), contam, facilita a actividade da empresa, que aposta nos períodos nocturnos em jogatinas e prostituição.
Depois destas denúncias, na manhã de quarta-feira, 31, de Dezembro, o Na Mira do Crime deslocou-se ao Leocean Park para aferir a veracidade das acusações.
Contactado o advogado "Bebeca", da administração daquela instituição, informou que a situação é da responsabilidade dos proprietários dos estabelecimentos, que apenas são inquilinos do espaço.
Durante a nossa presença no local, constatou-se que um dos funcionários transportava balões de roupa de um ponto para outro, embora os estabelecimentos estivessem fechados.
Em conversa com um cidadão nacional identificado apenas como Manuel, apontado como um dos responsáveis pelas lojas, este negou ser funcionário e disse que os estabelecimentos encontravam-se fechados há algum tempo.
Em seguida, este jornal contactou via telefónica e mensagens um dos responsáveis daqueles estabelecimentos, de nacionalidade chinesa, identificado por "Mah Li", este simulou não entender a língua Portuguesa, e em seguida alegou não estar em Luanda, sem avançar ao local em que se encontra, e desligou o telemóvel.








