No Zango 3: Mulher grávida denuncia ex-marido e cunhados agentes da Polícia de agressão física, disparos de arma de fogo e ameaças de morte, ex-companheiro nega acusações e diz que nunca foi marido da queixosa
Uma cidadã de nome Cristina de Carvalho, residente no Zango 3, município do Calumbo, província de Icolo e Bengo, denuncia o seu ex-companheiro, Gelson Jordão Mazeze, agente da Polícia Nacional, afecto à Polícia Fiscal, bem como três irmãos deste, também agentes da corporação, de alegadamente terem protagonizado agressões físicas, disparos de arma de fogo e ameaças de morte contra si e membros da sua família.
Por: Solange Figueira
Segundo a denunciante, os alegados agressores são Jelifer Mazeze, efectivo da Polícia da Ordem Pública, Jesse Mazeze, agente do DIIP e Jorgina Mazeze, todos irmãos do ex-marido.
A cidadã afirma que foi violentamente agredida dentro da residência onde se encontra a viver, mesmo estando grávida, e que os seus sobrinhos, que a auxiliavam na limpeza da casa, também foram alvos de mais de dez disparos de arma de fogo.
No dia seguinte ao incidente, frases como “Invasora, a casa não está à venda” teriam sido escritas com tinta vermelha no muro exterior da residência, acto que a família interpreta como intimidação. Ainda segundo a vítima, os sobrinhos tentaram intervir para a socorrer, momento em que foram surpreendidos com tiros.
A situação só terá cessado após a intervenção de um comandante da brigada motorizada, que passava pelo local e tentou conter o conflito.
"Após os factos, apresentei queixa na Esquadra do Zango 4, tendo sido posteriormente encaminhada para o Serviço de Investigação Criminal (SIC) da Centralidade do Zango 8", explicou.
A denunciante afirma temer pela sua vida e dos filhos, alegando que o ex-companheiro a ameaça de morte e se aproveita da sua posição como agente da polícia para impedir o avanço dos processos.
Familiares de Cristina de Carvalho alegam que as agressões ocorrem há cerca de oito anos, desde o início do relacionamento, motivadas por ciúmes excessivos.
Recordam que, em episódios anteriores, a vítima terá sido arrastada por um veículo conduzido pelo então companheiro, situação que culminou num desmaio e na perda de uma gravidez.
Embora tenha recorrido às autoridades na altura, o processo não teve seguimento após uma reconciliação. O caso mais recente terá ocorrido na tarde de sábado dia 27 de Dezembro do ano transato, quando a vítima, que vivia anteriormente numa casa arrendada, passou a residir numa obra inacabada, supostamente com autorização do ex-companheiro.
O acusado terá mudado de posição e, com o apoio da mãe e dos irmãos, tentou retirá-la à força do local, culminando em agressões físicas e disparos.
O irmão mais velho da vítima, Nelson de Carvalho, afirma que a família já recorreu várias vezes às autoridades ao longo dos anos, mas sem sucesso. Segundo ele, o cunhado beneficia de protecção institucional e age com sentimento de impunidade.
Já Maria de Sousa Carvalho, irmã da denunciante, afirma que tem recebido ameaças directas do acusado e que os filhos da vítima se encontram traumatizados com os episódios de violência.
Contactado pela nossa equipa de reportagem, Gelson Jordão Mazeze, acusado, negou todas as acusações, classificando-as como falsas.
O agente afirma que nunca viveu maritalmente com Cristina de Carvalho e que esta estaria a ocupar ilegalmente uma residência que não lhe pertence.
Segundo o acusado, a denunciante teria agredido um dos seus familiares, tendo os demais apenas reagido em legítima defesa. Nega igualmente a realização de disparos de arma de fogo e sustenta que a mulher estaria a tentar difamá-lo com o objectivo de obter vantagens financeiras.
Gelson Mazeze afirma ainda estar disposto a pagar uma renda mensal para garantir melhores condições de vida aos filhos, mas rejeita qualquer responsabilidade sobre as acusações feitas pela ex-companheira.
"Fui o terceiro marido dela, os outros maridos não lhe deram casas, por que razão eu teria de lhe dar uma? Aconselhei-a a sair daquela obra, pois não lhe pertence, sempre tive esposa, nunca fui marido da dona Cristina, mas apenas namorado", disse.
"Ela mantém relações próximas com o comandante municipal do Calumbo e com o comandante do Zango 4, tem ainda um primo no SIC que, segundo ela, a está a ajudar", observou.
Disse ainda que fez uma participação contra ela e os familiares na Polícia Judiciária, mas até ao momento nunca foi chamado para prestar declarações, nem recebeu qualquer notificação.
"Ela afirma que se tem queixado de mim, onde estão essas queixas? A dona Cristina está novamente grávida, e o filho não é meu, nunca vivi com esta senhora. A única intenção dela e da família é extorquir-me e aproveitar-se de mim", acusou.
Referenciou que no sábado, quando ocorreu o incidente, "foi ela quem mandou agredir os meus irmãos, nós não lhe fizemos nada, reitero que a aconselhei a sair daquela casa, pois não é dela, trata-se de uma invasão, e ela deve abandonar o imóvel", alertou.
O Na Mira do Crime sabe que o já é do domínio das autoridades competentes. A nossa redacção continuará a acompanhar os desenvolvimentos, respeitando o princípio da presunção de inocência e o direito ao contraditório.








