Seguranças no Hospital do Prenda acusados de cobrar ''gasosa'' e criar dificuldades durante o horário de visita aos pacientes
Utentes no Hospital do Prenda, em Luanda, denunciam agentes da empresa Miarsu – Divisão de Segurança, responsável pela vigilância da referida unidade hospitalar, na prática irregular de cobranças de valores na hora de visitas.
Por: Adão Paxi
Segundo os denunciantes, no horário reservado para visitas aos pacientes, "14 horas", observa-se uma aglomeração significativa de familiares junto ao portão principal, todos com o desejo de ver pacientes internados.
Enquanto uns conseguem aceder às instalações sem grandes dificuldades, outros são impedidos de entrar sem justificativa clara.
Maria de Castro, uma das utentes, foi obrigada a pagar 200 kwanzas ao segurança de serviço no portão, nesta quinta-feira, 15. Segundo ela, o agente criou dificuldades pelo facto de serem três pessoas a tentar visitar o seu familiar, mesmo estando dentro do horário regulamentar de visitas.
Ele disse: "Pelo menos uma gasosa para eu beber. A tua velha vai poder entrar", afirmou.
Outro problema está relacionado com a postura arrogante dos seguranças.
Vários utentes afirmam que os agentes, agem com prepotência, utilizam linguagem ofensiva quando há pessoas no portão. Por vezes, negam o acesso sem apresentar qualquer justificação clara, o que tem gerado revolta e frustração entre os visitantes.
Tânia João, de 42 anos de idade, relatou a situação que viveu ao tentar visitar um familiar. Segundo a utente, ao chegar ao portão do hospital, o segurança impediu a sua entrada, mesmo após ela colocar a máscara de proteção.
Questionando o motivo, foi informada de forma "seca" que estava atrasada, embora fossem apenas 14h28.
Tânia estranhou a justificação, uma vez que ainda estava dentro do horário permitido para visitas, mas, apesar disso, não conseguiu entrar. O segurança, que segundo ela “se comportava como um rei em serviço”, simplesmente recusou a sua entrada sem mais explicações.
A cobrança, feita de forma informal e fora dos canais institucionais, tem gerado indignação entre os utentes, que consideram a prática um abuso e um acto de corrupção que compromete a imagem da instituição e o direito de acesso dos familiares aos seus entes internados.
Contactado pelo Na Mira do Crime, o supervisor-geral da Miarsu – Divisão de Segurança, Tiago Lembe, afirmou desconhecer a prática de cobranças indevidas por parte dos agentes destacados no Hospital do Prenda. Acrescentou que, caso tais situações estejam de facto a ocorrer, será difícil identificar os autores, dada a natureza discreta das possíveis infrações.
“Vamos chamar a atenção dos colegas. Quem estiver a fazer isso deve parar imediatamente. Não é uma boa prática. Isso é crime”, declarou o supervisor, reconhecendo a gravidade da situação e comprometendo-se a reforçar o controlo interno sobre os funcionários.











