Extorsão na ordem do dia - Moto-taxistas da paragem do Zango-03 agastados com polícias da esquadra do Capapinha que vivem da "gasosa"
Os moto-taxistas da paragem do Zango-03, Lado B, na rua direita que liga o bairro Floresta e o condomínio da Polícia, acusam os agentes da esquadra do Capapinha de corrupção massiva, por cobrarem dinheiro a todo momento, em períodos específicos do dia, para que as suas motorizadas não sejam apreendidas, mesmo não cometendo nenhuma infracção.
Por: Solange Figueira
Os denunciantes alegam que tal facto acontece desde 2024, por esta razão estão fartos da corrupção e decidiram tornar público o problema para que as autoridades competentes tomem conhecimento e resolvam a situação.
Os denunciantes contam também como o esquema funciona: Na referida paragem há um triângulo que liga os bairros da Polícia, Floresta e Tio Mingo.
Nos períodos das 12 às 17 horas, dois agentes ficam à frente da estrada onde havia um passeio público, hoje uma área vedada e uma bomba de combustível que ainda não funciona. Outros dois ficam no final do triângulo, na entrada dos bairros, a controlar quem desce. Do lado direito, para quem vai à última paragem, ficam mais dois. Quer dizer que ao longo do dia ficam seis ou mais agentes a controlar as entradas e saídas.
Cada moto-taxista interpelado é obrigado a pagar um valor de 2 a 3 mil kwanzas na ida e na volta. Aqueles que se recusam a pagar tal valor, vêem as suas motorizadas apreendidas, e aí tudo fica bem mais difícil.
Para os denunciantes, para resgatar a motorizada da Esquadra é cobrado um valor de 15 a 20 mil kwanzas.
Segundo José Seteco, mototaxista, está há dois anos a trabalhar na paragem. "Antes, achávamos normal quando os polícias nos mandavam parar e nos cobravam, porque pensávamos que cometemos alguma infracção. Ao longo do tempo, conseguimos ver que tudo aquilo não passava de um vício. Eles têm olho no dinheiro, estão a fazer negócio connosco. Todos os dias, a qualquer hora, temos que pagar, mesmo sem fazer nada. Sabemos que não somos perfeitos, cometemos alguns erros, eles aproveitam-se disso para nos tirarem até o que não temos", desabafou.
Domingos Bernardo conta que, muitas vezes, são perseguidos pelos agentes que fazem de tudo para prender as suas motorizadas com o objetivo de obterem algum dinheiro.
"Fizemos os salários dos agentes desta esquadra todos os dias, faça chuva, faça sol. Eles não têm limites, são gananciosos. Uma vez fui cobrado, duas vezes pelo mesmo agente. Há momentos que fugimos, mudamos a rota, mesmo assim nos seguem. Quando paramos e não temos dinheiro no bolso para dar, aí somos levados para a esquadra. Eles sobem nas nossas motorizadas e levam. Já na esquadra, inventam situações que não aconteceram, mentem só para nos arrancarem dinheiro", descreveu para depois esclarecer que têm filhos, esposas que o vêem a partilhar o pouco dinheiro que conseguem com a polícia.
"Se dermos tudo, vamos sustentar como as nossas famílias?", questionou, sublinhando que há colegas seus que trabalham em Luanda, mas têm famílias noutros pontos do país. "Este esquema tem que acabar", vincou.
A nossa equipa de reportagem contactou o porta-voz da Polícia da província do Icolo Bengo, Euler Mari, que encorajou o espírito de denúncia.
"Nós agradecemos os Moto-taxistas que denunciaram este facto e convidamos os mesmos a dirigir-se para o Comando Municipal de Calumbo para que os nossos órgãos de especialidade possam identificar aqueles que estejam eventualmente envolvidos e responsabilizá-los.
Considerou importante que se perceba que quem dá é tão responsável como aquele que recebe em uma situação de corrupção. "Tomamos boa nota das denúncias e os nossos órgãos inspectivos vão continuar a trabalhar no sentido de identificar e responsabilizar os visados", anunciou.











