Já foi ouvido pelo Juiz de Garantias: Magistrada acusada de abuso de poder na alegada detenção "arbitrária" de jovem empresário que segue detido na 6.° Esquadra do Rangel há mais de um mês
Uma magistrada do Ministério Público, identificada apenas como “Niusia”, afecta à 6.ª esquadra do Comando Municipal do Rangel, está a ser acusada de alegado abuso de poder e de envolvimento num caso de detenção considerada injusta por familiares de um jovem empresário de nome Mauro Coimbra, de 34 anos de idade, residente no bairro Golfe I, município do Kilamba Kiaxi.
Por: Kihunga Bessa
A detenção foi feita por efectivos de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP), no passado dia 03 de Fevereiro, quando procedia ao levantamento de mais de 400 mil kwanzas, por via multicaixa.
De acordo com Crisanda da Conceição da Costa, esposa da vítima, o seu esposo é empresário, e para além de se dedicar à venda de peças de viaturas no mercado dos Correios, possui ainda outros negócios.
Informou que o facto ocorreu no dia 03 de Fevereiro do ano em curso, por volta das 17 horas e 45 minutos, quando o seu esposo se encontrava junto de um ATM, localizado no município da Maianga, com cerca de quatro cartões Multicaixa.
“Após efectuar o levantamento, um indivíduo que se identificou como agente do DIIP questionou a origem do dinheiro e o motivo de estar com vários cartões", narrou, afirmando que o seu esposo explicou que gere vários negócios, mesmo assim, foi imediatamente detido.
Conta ainda que Mauro Coimbra foi inicialmente conduzido à 4.ª esquadra da Maianga, tendo sido posteriormente transferido para a 6.ª esquadra do Rangel e, no dia seguinte, apresentado à Procuradoria-Geral da República (PGR), onde o processo n° 122/26- DIIP, passou a ser acompanhado pela magistrada em causa.
A família afirma ter tomado conhecimento da detenção apenas horas depois, quando tentou contactar o empresário sem sucesso.
“Ele disse que iria apenas ao banco e voltaria rapidamente, mas a demora era demasiada. Insisti nas chamadas até que atendeu, já em lágrimas, informando que estava detido”, relatou. Segundo os familiares, houve dificuldades em localizar o detido nas primeiras horas, tendo sido inicialmente informados de uma transferência para as instalações do DIIP no Sequele, onde, contudo, não foi encontrado.
Apenas no dia seguinte, confirmaram a sua presença na 6.ª esquadra. A família constituiu um advogado, que terá solicitado a libertação do arguido, alegando falta de fundamentos para a detenção.
Ainda de acordo com a esposa, a magistrada terá inicialmente admitido a soltura, mas recuou posteriormente, alegando a existência de nove queixosos que acusam Mauro Coimbra de envolvimento em crimes de burla.
A situação gerou contestação por parte da defesa, que endereçou uma exposição hierárquica, contestando a actuação da magistrada. Entretanto, no dia 12 de Fevereiro, o caso foi remetido a um juiz de garantias, que aplicou ao arguido a medida de coacção mais gravosa, a de prisão preventiva. A família questiona, no entanto, a permanência do detido nas instalações policiais após a aplicação da medida.
“Se já foi decretada a prisão preventiva, por que razão continua na esquadra e não foi transferido para uma unidade prisional?”, questionou Margarida Coimbra, mãe do empresário. Familiares alegam ainda que o detido não tem sido apresentado durante operações de transferência de reclusos, o que levanta preocupações adicionais sobre a sua situação.
Depois de ouvir os denunciantes, o Na Mira do Crime dirigiu-se à referida esquadra e à Procuradoria-Geral da República para saber mais sobre o assunto.
Uma fonte ligada à instituição, sem gravar a entrevista, avançou que o mesmo indivíduo já foi ouvido pelo juiz de garantias, que aplicou a medida de coacção mais gravosa que é a prisão preventiva, e que, a qualquer momento, será transferido para a Comarca de Viana, onde deverá prosseguir o processo.








