Acusado do crime de furto na obra do comandante - Efectivo do Ministério do Interior alega demissão injusta e pede reintegração
Um agente de 1.ª Classe do Ministério do Interior, colocado no Comando Provincial de Cabinda, denunciou ao jornal Na Mira do Crime ter sido demitido injustamente, alegando perseguição, detenção e privação de liberdade sem provas concretas. Agora, pretende que as coisas sejam como antes:
Por: Débora Manuel
Segundo o ofendido, exerceu funções desde 2014 até Setembro de 2025, tendo alcançado a patente de Agente de 1.ª Classe. No entanto, afirma ter sido surpreendido com uma comunicação de demissão baseada em acusações de furto de materiais diversos, incluindo saldo, louça sanitária, espelhos e equipamentos eléctricos, alegações que nega categoricamente.
De acordo com o ex-agente, os factos remontam o ano de 2018, quando foi orientado a substituir colegas na guarnição de uma obra ligada ao então Comandante Provincial de Cabinda, Eusébio de Almeida e Costa. Menos de três semanas depois, ele e outros colegas foram acusados de furtar um saco de disjuntores avaliados em cerca de 6.000.000 (seis milhões de kwanzas”.
O acusador afirma que lhes foi exigido o pagamento desse valor, o que recusaram por considerarem não haver provas que sustentassem a acusação.
Segundo relatou, o caso foi encaminhado ao Serviço de Investigação Criminal no Kilamba, onde os envolvidos foram ouvidos. Ainda assim, afirma que ficaram impedidos de regressar a Cabinda, permanecendo em Luanda por cerca de um ano.
Em Janeiro de 2019, ao deslocar-se ao gabinete do então comandante provincial, foi algemado durante várias horas, tendo permanecido sob custódia desde manhã até à noite.
Afirma também que não se trata de um caso isolado, alegando que outros funcionários que passaram pela mesma obra terão enfrentado acusações semelhantes, tendo alguns sido pressionados a pagar valores monetários elevados.
Apesar disso, garante nunca ter cometido qualquer crime e afirma que a sua demissão, formalizada em Setembro de 2025, foi injusta.
Sem condições financeiras para suportar os custos de assistência jurídica, que segundo afirma rondam 1.5 milhão de kwanzas, decidiu recorrer ao jornal Na Mira do Crime para tornar pública a situação. “Entrei meio homem, hoje sou homem por esta instituição. Não quero prejudicar o Ministério, só quero justiça e voltar a trabalhar”, afirmou.
O Na Mira do Crime tentou contactar o Ministério do Interior para obter um posicionamento oficial sobre as alegações, mas até ao momento não obteve resposta.








