Empresário mauritaniano lamenta ineficácia do SIC e da PGR há 04 anos - Perdeu mercadoria avaliada em cerca de 40 milhões de kwanzas durante transporte de Luanda para Cabinda
Um cidadão de nacionalidade mauritaniana, identificado por Mohamed, residente em Angola há cerca de 15 anos, denunciou ao Jornal Na Mira do Crime o desaparecimento de um camião carregado com materiais de construção civil, avaliados em aproximadamente 40 milhões de kwanzas, em Luanda, que tinha como destino final a província de Cabinda. Quatro anos depois, o empresário lamenta que o caso esteja esmorecido e os criminosos soltos como se nada tivesse acontecido.
Por: Laurentino Tchatuvela
O caso foi participado junto da Procuradoria-Geral da República (PGR), sob o processo n.º 2967/022-C, e ao Serviço de Investigação Criminal (SIC), com o registo n.º 3271/022-05.
Segundo o denunciante que exerce actividade comercial e possui uma loja na província de Cabinda, o camião foi alugado em 2022, em Luanda, para transportar a mercadoria com destino ao município do Soyo, província do Zaire, tendo como destino final a cidade de Cabinda, onde seria levada por via maritima. No entanto, a mercadoria nunca chegou ao destino deixando a vítima em falência total.
Mohamed explicou que conseguiu, posteriormente, junto com efectivos do SIC, localizar e deter o motorista, bem como um indivíduo apontado como supervisor, que esteve presente no momento do carregamento da mercadoria.
"Tenho todas as provas, tudo começou dias antes das eleições gerais em Angola, no dia 20 de Agosto de 2022. Os criminosos ligaram para mim e enviaram mensagens, não sei onde conseguiram o meu número, porque eu havia contactado várias empresas à procura de um camião”, disse.
“Recebi uma mensagem a perguntar se ainda precisava de um camião e respondi que sim, depois um suposto supervisor entrou em contacto comigo e fizemos os acertos até chegarem ao meu estaleiro, isto na Calemba 2”, explicou.
Acrescentou que nunca ouviu sobre este tipo de burla com um camião de 40 pés, "eles deixaram cópias de documentos e fotografias, o que transmitiu confiança”, sublinhou.
“Foram até à minha casa e ficámos três dias a carregar o camião no estaleiro, eu ainda pagava valores adicionais, incluindo alimentação, porque a carga era grande, o frete foi fixado em 600 mil kwanzas”, esclareceu.
“No mesmo dia, após o término do carregamento, fechei o camião com cadeado, entreguei uma chave ao motorista e fiquei com duas, também tirei fotografias da viatura, dos indivíduos e da matrícula, além de guardar cópia da carta de condução”, realçou.
O comerciante seguiu posteriormente para Cabinda por via aérea, acreditando que o camião chegaria ao Soyo e, depois, a mercadoria seria transportada por via marítima, no entanto, após cinco dias sem notícias, decidiu regressar à Luanda.
“Um mês depois, o motorista entrou em contacto com o meu irmão mais velho, dizendo que queria falar comigo e, quando liguei, afirmou que não sabia que os outros tinham intenção de roubar a mercadoria”, contou.
Mohamed afirmou que incentivou a colaboração com as autoridades, "disse-lhe que não sou autoridade, mas que poderia ajudá-lo a colaborar com o SIC para capturar os outros envolvidos”, explicou.
O encontro ocorreu numa bomba de combustível junto ao campo do Petro de Luanda, onde o motorista indicou a residência e revelou que o alegado responsável pelo aluguer do camião era conhecido.
Posteriormente, as autoridades detiveram um indivíduo identificado como “Boss Patrick” e outros quatro elementos, numa tentativa semelhante de desvio de contentor no município de Viana.
De acordo com o denunciante, a mercadoria nunca saiu de Luanda, o motorista contou que tudo foi vendido em Viana no mesmo dia e que a carga foi transferida para outras viaturas de marca Canter, seguindo para o mercado do Kikolo.
Apesar das detenções, Mohamed lamenta a falta de avanços no processo.
“Os detidos foram soltos e o processo continua na PGR e no SIC sem andamento”, lamentou.
Disse que os suspeitos alegam que actuavam sob ordens de um indivíduo identificado como Mateus, ainda não localizado, há também um suposto supervisor desaparecido.
“Foi-me dado um IBAN em nome de Mateus Cruz, para onde transferi 100 mil kwanzas como adiantamento do trabalho de carregamento”, esclareceu.
“No meu entendimento, o motorista também fez parte da quadrilha, se tivesse recebido o valor combinado, provavelmente não teria voltado a contactar-me”, sublinhou.
A mercadoria desviada incluía materiais de construção civil, com destaque para equipamentos eléctricos de elevado valor.
Por fim, o comerciante apelou à intervenção das autoridades
"Quero que o processo avance e que os bens sejam recuperados, já passaram três anos, entrei em depressão, paguei dívidas e a minha empresa faliu", deplorou.
Contactado por este jornal, o porta-voz do SIC em Luanda, superintendente-chefe Fernando Carvalho, garantiu que estão a trabalhar no sentido de apurar os factos.








