É famoso no Na Mira do Crime: Quem é o falso Subcomissário da PNA (Mauro Pastana) detido por roubo qualificado e já esteve 12 meses na Cadeia de Viana?
Em Maio de 2022, o Na Mira do Crime já havia denunciado o agora falso Subcomissário da Polícia Nacional, que até 2015 ostentava a patente de Inspector-Chefe e, num piscar de olhos já ostentava passadores de Superintendente-chefe.
Por: Belchior Resende
Maurício António, ou "Mauro Pastana", é supostamente filho de um oficial superior da Polícia, aposentado, que por sinal tem o mesmo nome do suspeito.
O jovem, de apenas 39 anos de idade, e que brinca com a farda da Polícia, foi recentemente acusado de orquestrar o assalto na empresa chinesa An Zhong Ld, localizada no Distrito Urbano do Kikuxi, município de Viana, com mais um efectivo da PNA e dois operativos do Serviço de Investigação Criminal (SIC) de Luanda.
No entanto, às nossas fontes alertam que o visado nunca fez parte das fileiras da corporação e já esteve detido em 2021 por falsa qualidade.
Porém, outras fontes próximas ao NA MIRA DO CRIME garantem que Maurício António, naquela altura residente no município de Talatona, fazia parte dos quadros da Polícia desde 2008, e em sete anos atingira a patente de Inspector-Chefe, e sempre trabalhou nos Recursos Humanos. Aliás, diziam as fontes, o Número de Indetificação Pessoal "NIP" (081661) que exibia na farda enquanto inspector-chefe, é o mesmo que apresenta com a farda de superintendente-chefe, meses depois de ser detido por falsas qualidades.
Pastana era ainda acusado de alegadamente recrutar cidadãos com promessas de inserção da Polícia, a troco de dinheiro, e em 2021 esteve detido depois de ser denunciado numa das burlas.
O Assalto em Viana
Em Maio de 2022, dois Subinspectores do SIC-Luanda, nomeadamente Lucas Kingui Kimaz e João Benjamim Kimaz, irmãos, bem como o agente de 2ª Classe, Mauro Menezes Liahuca, efectivo do Comando Municipal de Belas, coordenados supostamente pelo Superintendente-chefe Maurício António, foram detidos por operativos da Esquadra do Belo Horizonte, município de Viana, durante um assalto realizado nos armazéns da empresa “An Zhong Ld”, situada no Distrito Urbano do Kikuxi.
Durante a investida, os efectivos foram detidos em flagrante delito, onde, com ajuda de vários mototaxistas tinham já em sua posse mais de 40 aparelhos de ar-condicionado retirados de forma criminosa de uma empresa.
Num primeiro interrogatório, sabe o NA MIRA DO CRIME que o agente de 2ª classe descobriu a reunião dos acusados, antes do assalto, e teve lugar no interior do quintal do Supermercado Shoprite, em Viana, e que havia outros indivíduos com outros veículos à espera no interior do mesmo para carregar a mercadoria.
O caso envolvia ainda uma vietnamita que terá aliciado os efectivos do SIC-Luanda, colocados em Viana, que dias antes terão recebido 50 milhões de kwanzas das mãos da cidadã asiática para selar os armazéns da empresa, como se fossem funcionários da ANIESA, e dia seguinte, de noite, tomavam de assalto o armazém para levar o que havia de valor da empresa, a começar pelo material de frio.
Em Dezembro de 2023, o Tribunal da Comarca de Luanda julgou este grupo, depois do suposto Superintendente-chefe estar 12 meses detido na Comarca de Viana.
Segundo a acusação, os arguidos montaram uma operação falsa, usaram de forma ilegal as suas funções no Estado para cometerem o crime de roubo de diversos electrodomésticos na empresa "An Zhong Ld".
Conforme a acusação, o grupo era supostamente liderado pelo superintendente-chefe Maurício António, também conhecido por "Mauro Pastana", identificado na altura como comandante municipal de Cacuaco, que foi fundamental, segundo o MP, para o esclarecimento da verdade por ser o único arguido que mostrou arrependimento e ajudou o tribunal na descoberta da verdade.
Entre o arguido está uma cidadã vietnamita que terá aliciado os dois oficiais do SIC, por sinal irmãos, que, dias antes, terão recebido dinheiro das mãos da cidadã asiática para selar os armazéns da empresa, como se fossem funcionários da ANIESA.
No dia seguinte, refere o MP, o grupo tomou de assalto o armazém como se estivessem mandatados pelo Estado para levar o que lá havia de valor.
Conforme o MP, o agente da polícia e os dois oficiais do SIC introduziram-se de forma violenta no interior do armazém e ameaçaram as pessoas que lá se encontravam e retiram de lá o que havia de valor.
O MP disse durante a sua alegação que o superintende-chefe Maurício António "Mauro Pastana" apenas foi adicionado ao grupo por ser alguém que tinha uma patente alta e lamentava o facto de ser o único do grupo detido preventivamente há mais de 12 meses.
O representante do Ministério Público,
Luís Bento Júnior pediu que o tribunal condenasse de forma dura os demais arguidos, com excepção do superintende-chefe por ser apenas incluído no grupo.
Ao tribunal este representante pediu que o mesmo fosse condenado a uma pena branda e suspensa.
Em sede do tribunal, o superintende-chefe revelou que há no esquema uma alta patente da Casa Militar da Presidência da República, que até agora ninguém sabe quem é.








