ISP- Bengo : Aurora Bambi acusada de usar empresa familiar para esconder alegado desvio de fundos públicos
Novos desenvolvimentos do escândalo no Instituto Superior Politécnico do Bengo ISP/Bengo mostram que a sua Presidente, Aurora Kwayela João Mateus Bambi dos Santos, parece estar supostamente a usar manobras empresariais para confundir a investigação criminal de que é alvo.
Por: Lito Dias
No centro desta suspeita está a empresa “ARTE DA LIMPEZA – COMÉRCIO GERAL E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS” (NIF: 5001519344), criada a 13 de Junho de 2023, com participação de alegados familiares directos de Aurora Bambi, incluindo o seu suposto irmão, Oliveira Chico Chindumbo e a suposta cunhada Mônica Imaculada Félix Sebastião, residentes na província do Icolo e Bengo, centralidade do Sequele, rua 1.
A Ordem de Saque a que tivemos acesso a partir do ISP-Bengo confirma que entre Fevereiro e Abril de 2025, a empresa recebeu Akz 13.910.820,00 para supostos serviços ligados à investigação científica e actividades académicas, como intercâmbios pedagógicos, publicação de trabalhos científicos, fornecimento de materiais laboratoriais e apoio logístico.
No entanto, várias dessas actividades nunca foram executadas, levantando sérias suspeitas sobre a legalidade e transparência dos pagamentos.
O caso agravou-se ainda mais com a alteração do pacto social da empresa, a 04 de Novembro de 2025, quando a cunhada foi retirada da sociedade e o irmão deixou a gerência, passando o controlo para Tiago Cachangole Vicente.
Para analistas e fontes internas, esta mudança sugere uma tentativa clara de “limpar” formalmente os nomes ligados à direcção do ISP-Bengo e dificultar a rastreabilidade das operações financeiras. Enquanto a investigação criminal segue o seu curso, o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, liderado por Albano Vicente Lopes Ferreira, permanece inactivo, mesmo após Aurora Bambi ter sido formalmente constituída arguida no processo 84420/025.BGO.
O silêncio e a falta de medidas do Ministério levantam questões sobre eventual protecção política e comprometem a credibilidade da supervisão do ensino superior.
O caso mostra não apenas indícios de desvio de fundos públicos e nepotismo, mas também uma tentativa sistemática de baralhar informações para proteger interesses familiares. A comunidade académica do Bengo exige uma investigação independente, rigorosa e transparente, capaz de responsabilizar todos os envolvidos e garantir que os recursos destinados à investigação científica e à educação superior sejam aplicados de forma correcta e pública.








