Funcionário da PGR acusado de abuso sexual contra sua enteada de 10 anos de idade - Mulher separou do marido e deixou a filha sob cuidados do padrasto - Carta de desespero da vítima revela angústia que a menor vivia
Uma cidadã que atende pelo nome Vitoria André, residente em Luanda está a passar por momentos constrangedores desde a passada sexta-feira, dia 24 Março, momento em que descobriu que a sua filha de 10 anos de idade, tem alegadamente sido abusada sexualmente pelo seu ex-marido, padrasto da menina, identificado por Baldemiro Horácio Soares da Costa, de 44 anos de idade, residente na Centralidade Vida Pacífica, província do Icolo e Bengo, suposto chefe da secretária da Procuradoria Geral da República ( PGR) junto do Serviço de Investigação Criminal de Luanda.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Em exclusivo ao Jornal Na Mira do Crime, a mãe da menor disse que a vítima nasceu do seu primeiro relacionamento, e com o suposto agressor terá gerado uma outra menina.
"Estamos separados faz cerca de três anos, quando passamos a viver juntos levei a minha filha do outro relacionamento e vivíamos também com a filha, fruto da relação com ele, mas sempre demonstrou ser um pai muito atencioso com as duas, por esta razão, quando me separei dele confiei-lhe a guarda das crianças e naquele momento elas estavam a estudar e ele garantiu que cuidaria dos custos do colégio", contou. Victoria, sublinhou que o suposto agressor nunca demonstrou qualquer comportamento que a levassem a desconfiar das suas intenções, até que, no dia 24 de Março terá sido chamada pela direção do colégio da filha e tomou conhecimento da situação.
"Somam dois anos lectivos que elas ficaram a viver com o meu ex-marido, e nunca pensei que ele fosse capaz de tamanha maldade a sua enteada, que ele sempre considerou como sua filha. Quando a professora relatou-me o que a minha filha estava a enfrentar, porque ele a ameaçava que iria matar a mim e depois mataria ela, então não consegui contar o sofrimento dela", lagrimou. Acrescentou que a professora tomou conhecimento da situação por via de uma outra aluna, colega da vítima, que denunciou a professora sobre o caso.
"Ela escrevia os seus desabafos num caderno no qual escreveu também uma carta a professora a pedir que a ajudasse pelo que estava passar, inclusive expressou o desejo de tirar a sua própria vida, era a fase das últimas provas do trimestre e entrariam de férias, na carta vê-se que ela já não suportava, porque pediu que fosse viver com a professora, e só foi possível a carta ser descoberta porque a colega viu o papel escrito no caderno e entregou a professora. Na verdade eu não contava que aquele homem, com a moral que apresenta, fazia a minha filha de sua esposa", deplorou. De acordo com a nossa entrevistada, a menina explicou que, sempre que o padrasto chegasse em casa, com algumas coisinhas, entregava o telefone na irmã mais pequena, mandava ela para sala e entrava no quarto com a enteada e abusava sexualmente à criança.
"No dia 26 de Março" , continuou a nossa entrevistada, "fomos a Esquadra do Zango - 0, e abrimos uma participação sob o Processo N° 1190/26-IB, o instrutor chama-se Viriato Segunda, mas, parece-me que está paralisado, porque sei que o meu ex-marido tem bastante influência e tudo pode estar a fazer para inviabilizar o andamento do processo", desconfiou. A senhora revelou que a filha encontra-se num estado de choque e que precisa de um acompanhamento de profissionais na área de psicologia.
"Está traumatizada, sempre que alguém ligue para mim ela pergunta logo se é uma notícia sobre a detenção do papá, isto me abala, mas estou a tentar recorrer a outros órgãos de direito e defensores dos direitos das crianças, porque sei que enfrentarei dificuldades em dar seguimento no caso.
Por isso eu peço a Primeira-dama da República, Ana Dias Lourenço, a Organização da Mulher Angolana (OMA), ao INAC e outras organizações que me ajudem e que a justiça seja feita", pediu. Contactado pela nossa reportagem na manhã desta sexta-feira, 10, o acusado, Baldemiro Horácio Soares da Costa, negou as acusações feitas pela ex-esposa com quem viveu durante oito anos, tendo classificado às acusações como difamatórias.
"Está a fazer isto por causa da nossa separação, estamos separados a caminho de três anos e quatro meses, devido às traições por parte dela.
As miúdas ficaram comigo para salvaguardar o futuro delas, mas fiquei surpreendido com algumas ligações telefónicas de colegas meus afectos ao Serviço de Investigação Criminal (SIC), que estavam a minha procura, inclusive chegaram até minha residência", explicou.
"Posteriormente" continuou o nosso entrevistado "dirigi-me a Esquadra onde havia sido aberto o processo, mas fui escorraçado pelo instrutor, nem sequer tive acesso ao número do processo, contudo, eu nego todas as acusações, eu não seria capaz de violentar sexualmente as minhas filhas porque sou um pai exemplar e pelo cargo que ocupo, não seria eu a fazer o que a minha ex- esposa me acusa de ter feito, mas eu nego, não sou pessoa deste género", defendeu-se.









