Autópsia revela asfixia mecânica: Irmãos de 9 e 13 anos encontrados mortos no interior de um tanque de água na Camama - família aponta o dedo acusador para o namorado da progenitora
Duas crianças, que em vida respondiam pelos nomes Lénio e Duvânio, de 9 e 13 anos de idade, moradores do bairro da Sapú 2, zona das Casas Azuis (Projecto Nadó), município da Camama, foram encontradas mortas na noite de sexta-feira, dia 17, no interior de um tanque de água, com sinais de agressões físicas.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Em declarações exclusivas ao Na Mira do Crime, a mãe dos menores, identificada apenas como Cristina, informou que, no dia dos factos, despediu os meninos nas primeiras horas da manhã, quando saía de casa para o serviço, tendo deixado a chave da residência com uma das vizinhas, como era habitual.
Acrescentou que, após o expediente, regressou à casa por volta das 19 horas e deparou-se com a porta da residência aberta, com a chave na fechadura, pensando que os filhos estariam a assistir televisão, mas não os encontrou.
“Em seguida, fui à casa da vizinha onde tenho deixado a chave. Perguntei por eles, e a vizinha disse que também não estavam na sua casa, e informou-me que, no período da tarde, os mesmos foram buscar a chave a mando de um tio”, informou.
Acrescentou que a ausência dos filhos gerou preocupação na família, que iniciou buscas nos locais onde às crianças frequentavam, desde casas de amigos, mas, infelizmente, não os encontraram, decidindo regressar a casa.
Desesperada, dirigiu-se então ao tanque de água que fica no quintal. Após abri-lo, segundo a mãe, viu as chinelas do filho e, ao iluminar com uma lanterna, observou os corpos das crianças a flutuar.
"Gritei por socorro, e os vizinhos vieram, e conseguiram com a ajuda de um pau, retirar os corpos", lamentou.
Questionada sobre quantas pessoas vivem em casa, Cristina informou que são quatro: ela, as vítimas e um outro jovem "Micha", que tinha por obrigação cuidar das crianças.
Segundo o senhor Maya, irmão de Cristina, mãe das vítimas, a sua irmã terá dito algumas inverdades, pois, a família desconfia tratar-se de homicídio, tendo como principal suspeito o seu namorado, padrasto dos menores, identificado como Cadete.
Tal suspeita surge porque diligências feitas pela família indicam que o acusado esteve na casa e foi ele quem mandou os menores ir à busca da chave.
“A verdade é que ela deixou às crianças em casa com o Micha, o jovem que vive com ela e ajuda a cuidar dos meninos. Ele disse-nos que saiu de casa às 11 horas e foi aos treinos de futebol, deixando a chave e às crianças em casa da sua mãe", disse.
No entanto, continuou, por volta das 14 horas, os meninos foram buscar da chave à casa da mãe do jovem Micha, dizendo que um tio tinha chegado e precisava entrar, mas não especificaram de que tio se tratava”, explicou.
Acrescentou ainda que vizinhos relataram que, desde o momento em que foram buscar a chave, as crianças nunca mais foram vistas na rua.
“Quando a minha irmã chegou e notou a ausência dos miúdos, começou logo a procurá-los. Depois ligou para o namorado e explicou a situação, e ele apareceu. Foi nesse momento que o conheci. Fico triste quando ela diz que foi ele quem descobriu as crianças no tanque de água é mentira. O Micha disse que foi o namorado dela quem sugeriu insistentemente verificar o interior do tanque, o que levanta suspeitas de que ele sabe de alguma coisa”, afirmou.
Afirmou ainda que, após a presença do Serviço de Investigação Criminal, que procedeu à remoção dos cadáveres, o namorado da sua irmã conhecido no bairro como “irmão da Cristina” e que, inclusive, por vezes dormia na casa desapareceu sem deixar rasto.
A família desconfia que os menores foram mortos e posteriormente colocados no tanque, clamando por justiça e pela responsabilização dos autores.
Sabe o Na Mira do Crime que os resultados das autópsias, realizadas nesta segunda-feira, dia 20, apontam a asfixia mecânica como causa das mortes dos menores.
O superintendente-chefe Fernando de Carvalho, porta-voz do SIC-Luanda, informou à nossa reportagem que o Serviço de Investigação Criminal já se encontra a trabalhar no esclarecimento dos factos.
“Temos conhecimento do caso e diligências aturadas estão em curso para a localização e posterior detenção do presumível autor”, informou.








