Mascarado, de calções e chinelas e com AKM: Acção com cerca de 40 disparos de supostos efectivos do SIC e da Polícia contra uma “família inofensiva” no Belas poderia ter ceifado a vida de 10 pessoas – Família exige esclarecimentos das autoridades
Cerca de 10 supostos efectivos do Ministério do Interior, entre agentes do Serviço de Investigação Criminal em Luanda, e alguns supostos efectivos da Polícia Nacional, afectos supostamente ao Comando Municipal do Belas, protagonizaram, na noite da última terça-feira, 14, uma acção que poderia matar 10 membros de uma família, depois de, munidos de armas de fogo do tipo AKM e pistola, saltaram o muro da residência das vítimas e, sem mais nem menos, como ilustram imagens e vídeos em posse do Jornal Na Mira do Crime, começaram a disparar contra às janelas da residência e outros compartimentos, situada na Zona Verde, bairro Benfica, município de Belas, onde, de acordo com familiares, terão efectuado perto de 40 disparos.
Por: Kihunga Bessa
Os vídeos são de cortar a respiração. De acordo com relatos das vítimas, que falaram sob anonimato ao Jornal Na Mira do Crime, por temerem represálias, tudo começou por volta das
23 horas e 30 minutos do dia acima referenciado, quando mais de 10 elementos, munidos de armas de fogo, armas brancas, pés-de-cabra entre outros objectos, fazendo-se transportar numa viatura não identificada, escalaram o muro do quintal das vítimas, que se preparavam para dormir.
Segundo contam, sem qualquer sinal de que havia no interior da residência alguma ameaça, os implicados, orientados por um cidadão que estava na parte externa da residência, dispersaram-se no interior do quintal e começaram a disparar a queima-roupa contra a residência.
"Efectuaram vários disparos, alguns dos quais direccionados à minha janela, não sabíamos o que se passava e começamos a rezar", disse a proprietária da residência, visivelmente abalada com o sucedido.
Uma outra senhora que falou a nossa reportagem, também sob anonimato, explicou que quando foram surpreendidos, eles (supostos efectivos do MININT) já estavam a escalar os muros e um deles arrombou o portão com um pé-de-cabra, "e começaram a efectuar vários disparos; alguns direccionados à janela da dona de casa, como se viessem numa missão de matar”, denunciou.
Segundo a família, naquele dia viveram um momento de terror que terá durado cerca de 30 minutos.
"Quando eles entraram gritavam que tinham refém em casa e que queriam negociar, mas ao mesmo tempo, disparavam várias vezes contra a nossa casa, nas janelas vidradas, como é que alguém que vai para negociar um suposto sequestro dispara em todas as partes de casa sem saber onde estão às vítimas", questionaram.
Durante os tiroteios, a matriarca explicou que os "invasores" ditaram um número de telemóvel [924191163] e pediram que às pessoas dentro de casa atendessem para colaborar e negociarem.
"Quando atendemos dissemos que não havia nada de mal em casa, era só a família, mas eles insistiam que abríssemos a porta, porque senão ia chover sangue, e começaram outra vez a disparar", denunciou.
De acordo com a família, o caso ficou ainda mais preocupante, quando notaram a entrada de homens civis, sem colete do SIC ou da Polícia, mascarado, de calções e chinelas, portando uma AKM que disparava indiscriminadamente contra à residência.
“Quando vimos que o caso estava mesmo mal e eles estavam quase a entrar em casa, começamos a ligar aos vizinhos, aos familiares, ligamos para uma minha filha que vive noutro local para pedir ajuda, enquanto eles tudo faziam para abrir o portão principal para fazer entrar a viatura deles”, descreveram.
“Diante dos disparos e das desconfianças, preferimos ligar para a polícia do que abrir a porta, graças a Deus a polícia de farda camaleão rapidamente chegou ao local”.
De acordo com os nossos entrevistados, para sua salvação, no intervalo de chamadas de socorro, em 10 minutos, quando os supostos invasores tiveram acesso ao interior de casa, enquanto um deles subia às escadas, recebeu um telefonema, foi neste exacto momento que os homens da Unidade de Reação e Patrulhamento de Luanda (URP), se fazia ao local e entrava na residência.
“Notei quando eles subiam as escadas, mas quando receberam a chamada, recuaram, depois saíram e se identificaram com os polícias que acabavam de chegar. Os homens da URP perguntaram-nos o que se passava, mas também não sabíamos responder porque eram as pessoas que estavam ao lado deles que disparavam contra nós”, disse.
Minutos depois da acção, disse, os indivíduos foram se embora como se nada tivesse acontecido.
Passados agora sete dias, a família mostra-se indignada por não receber nenhum esclarecimento por parte das autoridades competentes.
“No dia seguinte chegou aqui um investigador, de nome Uegia, que se identificou como efectivo do SIC, e disse que foi ele que ligou ao Bagdad, também do SIC que estava na suposta operação, porque disse que havia uma ocorrência”, declarou.
A família aguarda por explicações por parte das autoridades e clama pela responsabilização dos implicados que estão devidamente identificados através das imagens captadas pelas câmaras de vigilância, e o total esclarecimento do caso que poderia ter ceifado a vida de uma família completa.
O Na Mira do Crime contactou o porta-voz do SIC-Luanda, Superintendente-chefe, Fernando Carvalho para esclarecimento do caso, e este prometeu um esclarecimento oportunamente.








