Na Esquadra da Boa Vista - Suposto efectivo do SIC acusado de cobrar 100 mil Kwanzas a um cidadão para ajudar na detenção de marginais que roubaram a sua motorizada
Um cidadão nacional, que pediu anonimato, de 26 anos de idade, residente em Luanda, que exercia a actividade de moto-taxi, está a passar por necessidades, após ter sido vítima de assalto no dia 20 de Agosto do ano 2025, tendo lhe sido roubada a motorizada e outros pertences.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
O assalto ocorreu na zona da Boa Vista por volta das 0 horas e 40 minutos, quando o moto-taxista, em serviço, terá levado um passageiro a partir da Mutamba, com destino ao bairro da Boa Vista.
Segundo o nosso entrevistado, ao chegar no destino do passageiro deparou-se com dois indivíduos com atitudes estranhas e suspeitou logo que fossem marginais.
"Avancei a uma pequena distância e parei para deixar o passageiro, pedi que ele descesse rapidamente, mas fingiu que não ouviu, pegou-me logo por trás e de seguida surgiram os dois indivíduos que os encontrei onde seria o destino do passageiro. Mostraram-me as facas que tinham nas mãos e disse-me que se eu tentasse resistir morreria e os três começaram a agredir-me", contou.
"Levaram a moto, o meu telemóvel IPhone - 11, os 30 mil kwanzas que estavam na pasta, os meus documentos, inclusive o capacetes. Em poucos minutos após fugirem apareceu uma viatura da polícia, expliquei o que aconteceu e disseram que iriam atrás dos bandidos, mas já não voltaram", explicou.
Em acto contínuo o jovem disse ter se dirigido a Esqudra da Boa Vista, município da Ingombota, onde fez a participação.
"Informei o que aconteceu comigo, depois com ajuda de algumas pessoas fui para o hospital porque não estava bem devido as agressões, eram já por volta das 2 horas da manhã, no mesmo dia, quando eram 9 horas voltei a Esquadra e fui ouvido pelo DIIP. Durante a audiência um dos agentes do SIC disse que também queria falar comigo. Assim que sai da sala do DIIP fui até a sala dele e disse que pediu para falar comigo porque não confiava nos seus colegas do DIIP, porque atrapalham o trabalho e achava que eles comem com os gatunos", disse o jovem.
"Durante a conversa", disse o nosso entrevistado, "identificou-se como Ambrósio dos Santos Moyo. Mostrou-me várias imagens de meliantes a partir do seu telemóvel e eu consegui reconhecer o bandido que se fez passar de passageiro, mais tarde identifiquei a imagem dos outros dois, então ele disse que eram indivíduos da zona e que já estavam a ser procurados e só ele poderia ajudar a resolver a situação", explicou.
Acrescentou que o suposto agente do SIC, terá pedido 100 mil Kwanzas por se tratar de um trabalho complexo.
"Disse que envolvia ir a busca de informações para os poder localizar porque os bandidos estão sempre a se movimentar de um lugar para outro, para ajudar eu tinha que arranjar 100 mil Kwanzas para ajudar no pagamento dos informantes e muito mais. Vendi a botija de casa e no dia 27 de Agosto de 2025, a minha senhora fez a transferência como adiantamento de 50 mil kwanzas para a conta do senhor Ambrósio dos Santos Moyo, eu tenho o comprovativo", garantiu.
Para a vítima, a coisa começou a tornar-se estranha com as mensagens que o suposto agente do SIC enviava.
"Primeiro disse que conseguiu localizar onde os bandidos estavam escondidos, na ilha de Luanda, na rua da Vaidade, na casa de um suposto oficial dos Serviços de bombeiros e estavam em posse de quatro motas roubadas. Dias depois disse que estava a coordenar com a equipa dele em como entrariam na mesma casa, com tantas voltas dele notei que estava a mentir", disse.
Dados os factos, e cansado com as mentiras terá feito ameaças ao suposto agente.
"Devido ao tempo eu disse a ele que iria recorrer aos órgãos de justiça caso não devolvesse o dinheiro, foi assim que ele recentemente devolveu-me o dinheiro, mas pelas declarações do senhor do SIC tudo indica que ele sabe onde a minha moto se encontra, não é possível ele tenha tanta informação e nunca deteve os bandidos", desconfiou.
"Preciso de ajuda, a motorizada era o único sustento para minha família, tenho esposa e filhos e o senhor Ambrósio dos Santos deve saber onde se encontram os bandidos, por favor me ajudem", pediu o jovem.
A nossa reportagem contactou o senhor Ambrósio dos Santos Moyo, via telefónica, que confirmou ter recebido o dinheiro oferecido por iniciativa da vítima.
"O dinheiro não foi para a prestação dos serviços que ele diz, fez a entrega por sua livre vontade, mas já o devolvi. Ele tem que ter paciência porque no mesmo dia quase cinco motorizadas tinham sido roubadas, mas já tem um processo no SIC- Luanda e deligências estão a ser feitas para a localização e detenção dos indivíduos", garantiu.











