Moto-taxistas denunciam suposta extorsão de agentes da Polícia no Hoji-ya-Henda - Comandante municipal nega acusações
Os moto-taxistas que circulam no bairro Cawelele, nas ruas Tuni Verde, Paviterra, Cassilda e Kianda, no município do Hoji-ya-Henda, denunciam alegadas práticas de extorsão protagonizadas por supostos agentes da Polícia Nacional, que estariam a recolher motorizadas durante a noite e a exigir dinheiro aos proprietários, sob pena de encaminharem os meios ao comando municipal para apreensão.
Por: Adão Paxi
De acordo com os denunciantes, que falaram sob anonimato ao Jornal Na Mira do Crime, os supostos agentes circulam frequentemente nestas zonas, e as abordagens ocorrem geralmente a partir das 19 horas, altura em que qualquer motorizada estacionada na via pública ou nas proximidades das residências pode ser recolhida.
"Quando vejam uma motorizada na via pública, ou em frente de uma residência,
ao chegarem ao local, os agentes mandam chamar o proprietário da motorizada e solicitam a chave, levando o meio para um local escondido, esperando o dono chegar", contaram.
No entanto, contam, quando o dono se dirige ao local para recuperar o meio, é informado de que a motorizada estaria supostamente envolvida em algum assalto, sendo então pressionado a pagar valores entre 20 e 25 mil kwanzas, para evitar que o caso seja encaminhado ao comando.
Um dos episódios mais recentes, de acordo com os denunciantes, ocorreu quando um motoqueiro foi surpreendido enquanto conversava com um amigo numa roullote, na rua da Cassilda, com a motorizada estacionada no local.
Na ocasião, os agentes terão supostamente efetuado três disparos para o ar, o que despertou a atenção de vários residentes da área. Ainda assim, os dois jovens foram conduzidos, juntamente com a motorizada, para um local isolado.
"Os agentes alegaram que algumas das pessoas que se aproximaram do local estariam armadas e que o amigo do jovem estaria envolvido na situação. Para a libertação da motorizada, teria sido inicialmente exigido o pagamento de 35 mil kwanzas. Após um debate com os familiares, o valor acabou por ser reduzido para 25 mil kwanzas", denunciou.
Os denunciantes afirmam ainda que, apenas naquele dia, cerca de sete motorizadas foram apreendidas em circunstâncias semelhantes, sendo que os valores exigidos para a sua devolução variavam entre 15 e 20 mil kwanzas.
Contactado pelo Jornal Na Mira do Crime, o comandante municipal da Polícia Nacional no Hoji-ya-Henda, superintendente-chefe Domingos Pedro João de Oliveira, afirmou categoricamente que os indivíduos mencionados não pertencem aos efectivos da Esquadra do Cawelele, esclarecendo que a zona da Kianda é uma área limítrofe que divide três municípios: Cazenga, Cacuaco e Hoji-ya-Henda.
“Por ser uma área próxima da esquadra, os motoqueiros apontaram de imediato para os efectivos do Cawelele. Para mim, essa informação não corresponde à verdade e não tem nada haver com os nossos efectivos”, afirmou.








