Gestor denúncia alegada burla de mais de 10 milhões de kwanzas em suposto negócio de telemóveis reciclados - Sócio está em parte incerta
Um cidadão identificado como Paixão Júnior, de 37 anos de idade, gestor de empresas, denuncia ter sido vítima de burla no valor de 10 milhões e 340.000 kwanzas, alegadamente praticada por um amigo de infância, de nome Pedro José Malembe, também conhecido por “Malembe”, de 38 anos, com quem pretendia investir num negócio de venda de telemóveis reciclados provenientes da África do Sul.
Por: Carlos Quicuca
Segundo o relato do lesado ao jornal Na Mira do Crime, o caso teve início em Setembro de 2025, após estarem separados durante cinco anos.
Após seguirem caminhos diferentes na formação profissional. Paixão formou-se em gestão empresarial na Namíbia, enquanto Malembe residia entre Portugal, África do Sul e Angola.
De acordo com o denunciante, Malembe apresentou um projeto considerado “ambicioso”, que consistia na abertura de várias lojas em Luanda e noutras províncias, para comercialização de telemóveis do tipo iPhone reciclados. O investimento total previsto seria de 51 milhões de kwanzas.
Acrescentou que o acusado alegava já possuir 31 milhões de kwanzas e procurava um sócio para completar o montante necessário para aquisição da mercadoria.
Ainda segundo Paixão, Malembe afirmava ter contactos estabelecidos na África do Sul, país onde teria vivido durante algum tempo.
Convencido da viabilidade do negócio, e após várias reuniões algumas com a presença do irmão do acusado, identificado apenas como Tendó, Paixão decidiu contrair um empréstimo junto do banco BAI, através do aplicativo BAI Directo, no valor de 10 milhões 340.000 kwanzas.
No dia 5 de Outubro de 2025, os dois encontraram-se num supermercado em Viana, onde o lesado entregou ao sócio cartões bancários, incluindo um cartão Visa com os respetivos códigos, para viabilizar a compra dos equipamentos.
Entretanto, após manter contacto até ao final de Novembro do mesmo ano, Pedro Malembe deixou alegadamente de responder a chamadas, e-mails e mensagens, ficando incomunicável e ausente das redes sociais.
Preocupado com o desaparecimento, o lesado diz que tentou obter informações junto de familiares do acusado, mas sem sucesso. Os mesmos alegaram não ter contacto com Malembe há vários meses.
De seguida, Paixão dirigiu-se ao apartamento onde o acusado se hospedava, na Centralidade do Kilamba, em Luanda, mas descobriu que o imóvel não pertencia a Malembe, sendo propriedade de um terceiro, onde o mesmo apenas ficava ocasionalmente.
Investigações feitas pelo próprio denunciante indicam ainda que o acusado poderá ter deixado dívidas em Portugal, incluindo cerca de 7 mil euros a um cidadão português. Há também relatos de que teria abandonado a própria irmã naquele país, deixando encargos por pagar.
De acordo com documentos apresentados, uma das últimas movimentações financeiras realizadas por Malembe foi a transferência de 1 milhão e 300.000 kwanzas para a conta da sua mãe.
Informações mais recentes apontam que o suspeito poderá estar fora do país, com possíveis localizações em destinos como Mónaco, Itália, Austrália ou Inglaterra, embora sem confirmação oficial.
Visivelmente abalado, o lesado afirma ter confiado plenamente no acusado, a quem considerava como um irmão.
“A situação está complicada, sobretudo com a pressão do banco devido aos juros”, lamentou.
Contactado pela reportagem, o irmão do acusado confirmou a existência do negócio e a participação em algumas reuniões, mas afirmou desconhecer o paradeiro de Pedro Malembe.
Segundo ele, a família também está preocupada e sem informações sobre o seu paradeiro.
O denunciante afirmou ainda que tentou resolver a situação de forma amigável junto da família do acusado, sem sucesso. Diante disso, garante que o próximo passo será recorrer às autoridades competentes para o devido tratamento do caso.
No entanto, após contacto com o acusado que está fora de Angola, na Europa, este informou que não se trata de uma burla, e sim de um empréstimo, e que terá enviado um e-mail ao amigo para explicar as motivações do não pagamento.








