Trabalhadores angolanos da empresa chinesa "Tiany Internacional" denunciam despedimentos ilegais e exploração laboral
Angolanos que trabalham na empresa "Tiany Internacional", de origem chinesa, que actua no mercado angolano há mais de três anos, na montagem de televisores plasmas da marca Homa, LED e Smart, denunciam despedimentos sem justa causa e exploração laboral.
Por: Solange Figueira
Situada na rua direita do Sequele, próximo às bombas de combustível da Vila Cativa, de acordo com os denunciantes, têm sofrido exploração laboral e despedimentos injustos, por parte da direção da empresa chinesa, composta por cidadãos chineses, com a conivência e aprovação de alguns supervisores angolanos.
"A discriminação é um dos factores que os deixa revoltados", desabafou um trabalhador visivelmente revoltado.
Diz que o alojamento para os funcionários é seletivo, já que a empresa disponibiliza apenas para alguns funcionários antigos, excluindo os demais do mesmo benefício.
"Faltam contratos de trabalho, porque apenas alguns funcionários possuem. Os demais exercem funções sem qualquer vínculo formalizado, o que nos deixa totalmente expostos", denunciou.
"Por exemplo, nos dias em que não há material para trabalhar, o responsável da empresa, de nacionalidade chinesa, seleciona funcionários para permanecer na empresa e dispensa outros, enviando-os para casa sem o pagamento do dia", obsevou.
Segundo os queixosos, a empresa não tem energia elétrica da rede pública e opera exclusivamente com geradores.
"Quando estes possuem alguma avaria, os responsáveis da empresa selecionam alguns funcionários e mandam-nos para casa sem pagamento de salários, não entendemos como eles avaliam estes critérios, se o problema não é do funcionário", reclamaram.
Porém, dizem ainda que quando o trabalhador falta por dois dias, é obrigado a permanecer 15 dias em casa sem direito a salário, sob alegação de castigo.
"Quanto a questão de acidentes de trabalho, a empresa não presta qualquer assistência, são efetuados descontos salariais referentes à Segurança Social, mas sem apresentação de comprovativo legal. Os salários são pagos incompletos, na folha de salários, os pagamentos vêm registados como salário base 100 a 150 mil kwanzas, porém há trabalhadores que recebem apenas 30 ou 40 mil kwanzas mensal", relataram.
A falta de alimentação e transporte, assim como excesso da carga horária é também um dos factores de reclamação da classe de trabalhadores.
"Trabalhamos de segunda à sexta-feira das 8h30 às 17horas, com intervalo para almoço das 12h00 às 13h. Sábado entramos às 8h30 minutos e saímos às 15h30, com intervalo para almoço de apenas 30 minutos", reclamaram.
Desconto de faltas justificadas por doença, mesmo mediante apresentação de atestado médico, coação e ameaça aos trabalhadores, segundo os denunciantes é o prato do dia da empresa.
"Quando há fiscalização na empresa, o responsável de nacionalidade chinesa ameaça os trabalhadores com despedimentos, caso prestemos declarações aos fiscais", explicaram.
Prática de fraude comercial
Os entrevistados denunciam que o responsável da empresa altera a descrição de polegadas nas caixas de televisores.
"Produtos anunciados como 43", 45", 49" e 75" Smart TV, ao serem abertos na fábrica, apresentam tamanho inferior ao indicado na embalagem, tudo isto para enganar o consumidor", alertaram.
Um dos trabalhadores despedidos também juntou ao grupo de denunciantes, e explicou que os responsáveis da empresa darem-lhe 15 dias de repouso, para não usufruir do salário total.
"É hábito da empresa, quando nos mandam 15 dias para casa, não pagam os salários completos. Isso é uma tática que eles usam constantemente", observou.
"Na empresa", disse, "trabalham 34 pessoas, escravizavam-nos de todas as formas possíveis".
"Depois do repouso que me deram, voltei para o trabalhar, mas simplesmente o chinês chamou-me e disse que eu estava despedido. Fui fazer uma denúncia à esquadra do Sequele, mas não deu em nada", lamentou.
"Trabalhamos sem comer, sem beber água e sem contratos. Nunca recebemos salário de 100 mil, somos descontados constantemente, trabalhamos com constantes ofensas morais, fui expulso sem justa causa e sem ser indemnizado", reclamou.
O antigo trabalhador diz que durante meses trabalhou com fome, sede e sem descanso. No entanto, ele e mais 10 colegas foram despedidos injustamente.
"Estou em casa sem nada, nem o meu último salário me pagaram. Fui despedido injustamente, estou a reivindicar o que é meu por lei".
A nossa equipa de reportagem deslocou-se até à empresa e falámos com um responsável de nacionalidade angolana, identificado como Fernando Hebo, que nega às acusações.
De acordo com o responsável, todos os funcionários que já despediram foi por faltarem abusivamente ao trabalho.
"Não temos subsídios, porém nunca deixámos de pagar os salários. Todos os salários são pagos completos. Muitas vezes os trabalhadores fazem dívidas aos chefes, por esta razão são descontados. Os funcionários que ficam 15 dias em casa é por falta de materiais, mesmo assim são pagos 50 por cento dos salários", explicou.
Segundo Hebo, o último trabalhador que saiu da empresa não foi despedido, "ele por si só decidiu sair. Até o chinês lhe pediram desculpas, mesmo assim decidiu ir embora".
Diz, por outro lado, que todos os trabalhadores têm contrato, por isso descontam para a Segurança Social.








