Associados da COHABIT acusados de supostamente burlar mais de 490 milhões de Kwanzas com alegada construção de condomínio
Os associados da empresa COHABIT estão a ser acusados de alegadamente formarem uma quadrilha que enganou várias pessoas, prometendo construir residências dentro dos condomínios Nosso Zimbo e Jardim de Rosas. Chegou a "burlar mais de 30 pessoas num valor de 490 milhões de kwanzas", segundo os denunciantes.
Por: Solange Figueira
A COHABIT é uma empresa que actua no ramo habitacional e de crédito. O seu escritório está localizado no município do Talatona, dentro do condomínio Horizonte Sul. Está no mercado angolano há vários anos, dedicando-se a construir condomínios espalhados pela província de Luanda.
De acordo com as vítimas, as inscrições para obterem as residências começaram em Julho de 2024. Os clientes preenchiam um formulário e pagavam mensalmente uma cota de 5 mil Kwanzas nas contas da empresa COHABIT. Depois, passaram a fazer pagamentos de 2 a 5 milhões de kwanzas, de acordo com a tipologia da casa, nas contas dos associados. Os denunciantes alegam que caíram numa burla formada por uma quadrilha e contam como funcionava o esquema.
Os integrantes da quadrilha eram chamados por números:
Número 1, senhor José Steroste Francisco Domingos, Escrivão do Tribunal Militar de Primeira Instância de Luanda, apontado pelos denunciantes como o mentor, o cabeça e o líder que criou e comandava a quadrilha.
Número 2 é a
senhora Guerra da Costa Miguel Francisco, suposta filha do músico Calabeto, apontada como o braço direito do senhor José, a que recrutava, aliciava e ludibriava pessoas para angariarem os clientes, mostrando residências falsas nos condomínios Jardim de Rosas e Nosso Zimbo. A acusada recebia várias transferências de 2 a 5 milhões de kwanzas.
Os pagamentos eram feitos através da conta do seu filho, Ricardo do Rosário Miguel Hilário, apontado como o número 3 da quadrilha. A maioria dos valores foi para a conta do senhor Ricardo, totalizando 490 milhões de kwanzas, com a autorização do Senhor José e da sua mãe, Senhora Guerra.
A número 4 é a senhora Lourença Ferreira Chaves. Também tinha a missão de angariar outros interessados e clientes e recebeu vários pagamentos na sua conta bancária.
A número 5 é a
Senhora Djamila, secretária da empresa COHABIT, denunciada e acusada como cúmplice. Já a número 6 é a Senhora
Daniela Celeste Ladeira Pinto.
Segundo Idalina Pinto, vítima, depois de se aperceberem da burla, fizeram uma participação ao SIC Geral contra o senhor José, a senhora Guerra, o senhor Ricardo e a senhora Lourença. O número de processo é 622/PGR/025-D.
A mesma tomou conhecimento do projecto por intermédio da senhora Guerra. "Enviei 5 milhões para a conta do Senhor Ricardo, filho da Senhora Guerra. Confiei nela porque me levou à COHABIT, fiz a inscrição e pagava uma taxa mensal de 5 mil kwanzas. Tudo parecia real, ela é uma pessoa idónea, não imaginei que era uma burladora. Levei também seis pessoas da minha família, cada um fez pagamento de 2 milhões de kwanzas", relatou.
No entanto, por causa da demora, desconfiaram que era uma burla.
"Fomos à empresa e não sabiam de nada. A dona Guerra nunca aceitou apresentar-nos o senhor José, falamos com ele apenas ao telemóvel e por mensagens. Para ela nos dar o número dele também tivemos de fazer confusão na casa do pai dela, o músico Calabeto. Eles roubaram muita gente, queremos apenas o nosso dinheiro de volta", clamou.
Todos queixosos dizem que tudo pareceu-lhes ser um negócio real e seguro, porque muitos fizeram a inscrição na COHABIT, não presencial, mas ela levou-lhes os documentos. "Eu fiz e mais três irmãs minhas fizeram. Em 2025, começamos a ouvir que um general e a senhora Guerra eram os mentores, nunca ouvimos falar destes senhores. O dinheiro que eu dei foram cinco milhões, só as minhas irmãs deram um total de 15 milhões. É muito dinheiro perdido, queremos reaver este dinheiro e que as pessoas envolvidas respondam criminalmente", exigiram.
A nossa equipa de reportagem entrou em contacto com os acusados. Não conseguiu falar com o senhor José e com a senhora Daniela.
Mas entrou em contacto com a senhora Lourença, uma das acusadas. Esta diz que está a devolver todo o dinheiro que recebeu dos clientes.
Já a senhora Djamila, mostrou-se indisponível em falar e, visivelmente furiosa, desligou o telemóvel.
Enquanto isso, Ricardo, filho da senhora Guerra, disse que os seus advogados entrariam em contacto com os nossos repórteres e que daria o recado à sua mãe. Passaram-se cinco dias, e ninguém se pronunciou.
A paragem seguinte foi na empresa COHABIT, onde a nossa equipa falou com o seu Director Administrativo, William Campos. Este negou as acusações e diz que a COHABIT foi chamada ao Serviço de Investigação Criminal, não como responsável pelas burlas, mas sim porque foi citada várias vezes ao longo do processo. "Somos uma cooperativa de habitação e crédito. Os nossos associados são denominados por classes: A e B, dependendo das capacidades financeiras. Cobramos apenas taxas de inscrição e cotas mensais, dependendo do nível do projecto em que cada pessoa quiser inscrever-se. Nunca pedimos que os clientes pagassem o valor total das residências, cobrávamos apenas cotas mensais de 5 mil a 50 mil kwanzas, dependendo da tipologia da casa que os nossos clientes solicitavam", descreveu, alegando existir uma regra: "os nossos associados devem vir presencialmente para conhecer o projecto. Muita gente foi burlada porque alguns dos nossos funcionários deram abertura para que esses documentos entrassem na empresa sem precisar que as pessoas aparecessem. Eles fizeram parte do esquema fraudulento e, por esta razão, estão suspensos".
Revelou que pela primeira vez que a COHABIT teve conhecimento deste facto foi porque uma senhora apareceu na empresa a pedir a devolução do dinheiro dela. "Aí, perguntamos o que se passava e ela contou-nos tudo. Nas contas da COHABIT entraram apenas as taxas e as cotas mensais. Não achamos estranho o dinheiro que entrou na nossa conta porque naquela época recebíamos mais de 50 clientes por dia. Estamos dispostos a devolver se cada um dos denunciantes for reclamar com os seus respectivos comprovativos", garantiu.
Acrescentou que a COHABIT nunca recebeu 490 milhões de Kwanzas nas suas contas. "Conhecemos o senhor José porque era nosso associado, era um cliente que pagava as taxas mensais e começou a enganar as pessoas em nome da COHABIT. As pessoas pensavam que o projecto era mesmo da COHABIT porque pagavam a cota. Nós apercebemo-nos de que o Senhor José levava clientes ao Nosso Zimbo, que é um projecto do Estado. Não temos casas lá; nem no Jardim de Rosas. Eles começaram a burlar em 2024. Devolvemos as cotas a todos que reclamaram directamente connosco. Estamos abertos para resolver com aquelas pessoas que pedirem a devolução das cotas", assegurou.








