Director-Geral do Hospital Dr. Walter Strangway constituído arguido por alegado desvio de 30 milhões de kwanzas em esquema de pagamentos de horas extras que superam salários
O director-geral do Hospital Dr. Walter Strangway, localizado na província do Bié, David Abel, foi constituído arguido pela Procuradoria-Geral da República (PGR), numa audiência que decorreu entre as 10h30 e às 12h00 desta sexta-feira, 01, no âmbito de um processo que investiga o processamento indevido de subsídios de horas extraordinárias naquela unidade sanitária.
Por: Débora Manuel
O caso envolve um total de 11 médicos, no período compreendido entre Agosto de 2025 e Fevereiro de 2026, e tem como principal suspeita a antiga chefe do Departamento de Recursos Humanos, detida há um mês, Cesalina Quilombo, apontada como a alegada mentora do esquema.
Na sequência dos factos, a acusada foi exonerada do cargo pela ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta.
De acordo com os dados disponíveis, alguns médicos terão, de facto, prestado horas extraordinárias. No entanto, essas horas terão sido inflacionadas, resultando no pagamento indevido de valores que variam entre 250 mil e 4 milhões de kwanzas.
As investigações indicam ainda que há médicos em formação especializada, tanto em Luanda como na República Federativa do Brasil, que também terão beneficiado indevidamente desses subsídios.
Outro elemento relevante do processo aponta que, após o processamento dos valores, os médicos envolvidos teriam a obrigação de devolver parte do montante à antiga chefe de departamento, com quantias que variavam entre 100 mil e 450 mil kwanzas.
O Na Mira do Crime sabe que os suspeitos podem responder pelos crimes de peculato, gestão danosa e recebimento ilito de valores.
Em declarações sobre o caso, na TPA, o jurista Yuri Fandango considerou que os factos podem configurar crimes como associação criminosa e peculato, embora tenha sublinhado que o processo ainda se encontra em fase de instrução, sendo prematuro avançar conclusões definitivas.
“O processo está em investigação, e caberá às autoridades competentes, nomeadamente a Procuradoria-Geral da República, apurar os factos e responsabilizar os envolvidos”, afirmou.
O caso continua sob investigação e promete novos desenvolvimentos nos próximos dias.











