Polícia na Huíla confirma envolvimento de efectivos da corporação e das FAA no garimpo de ouro e no fornecimento de armas de fogo a marginais
O chefe das operações do Comando Provincial da Polícia Nacional na Huíla, superintendente Eliseu Justo, confirmou nesta segunda-feira (11) do ano em curso, que alguns efectivos da Polícia Nacional e das Forças Armadas Angolanas (FAA), professores, funcionários da administração pública, entre outros cidadãos, estão envolvidos no garimpo de minerais estratégicos, concretamente ouro, bem como na entrega de armas de fogo a marginais que actuavam nos municípios do Dongo e Jamba Mineira.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
De acordo com Eliseu Justo, que falava durante uma conferência de imprensa sobre o balanço da primeira fase da operação “Quebra Mola”, o envolvimento destes cidadãos deve-se ao interesse no enriquecimento fácil, proporcionado pela exploração ilegal do ouro.
“Em menos de 20 minutos que permaneci naquela área a comandar o efectivo, recebi propostas entre 20 e 30 milhões de kwanzas para direccionarmos a operação para outro local”, revelou.
O oficial explicou que, durante a primeira fase da operação, decorrida de 21 de Abril a 1 de Maio do ano em curso, foram detidos 51 cidadãos ligados à exploração ilícita de ouro nas localidades de Capama e Cahali.
Entre os detidos, oito estavam em posse de armas de fogo e 13 encontravam-se em situação migratória irregular, sendo igualmente implicados na actividade de exploração ilegal de ouro.
Durante a operação, as autoridades apreenderam 1,5 quilograma de ouro, 11 máquinas de pesagem do referido produto, 11 milhões e 750 mil kwanzas em posse dos garimpeiros, 10 armas de fogo, quatro máquinas de prospecção, 16 moto-bombas, nove geradores, 66 quilogramas de cascalho, sete motorizadas e 21 viaturas utilizadas no apoio à actividade de garimpo naquelas localidades.
Nesta primeira fase, decorrida de 21 a 30 de Abril, a operação contou com 80 efectivos da corporação, distribuídos entre a Polícia de Intervenção Rápida, com 50 efectivos, o Serviço de Investigação Criminal (SIC), com 10, o Serviço de Migração e Estrangeiros (SME), igualmente com 10 efectivos, e a Unidade de Trânsito e Segurança Rodoviária, com 10 efectivos.
As medidas visavam apenas efectuar o bloqueio dos principais pontos de acesso às zonas de garimpo.
No dia 1 de Maio, durante a fase do assalto final, foram mobilizados 150 efectivos, sendo 100 da Polícia de Intervenção Rápida e 50 da Unidade de Reacção e Patrulhamento (URP), numa acção que consistiu na invasão do local de garimpo.








