Averiguação em curso - Supostos efectivos da Polícia de Guarda Fronteiras sem salários há oito meses no Ambriz
Uma denúncia chegada ao Jornal Na Mira do Crime, atesta que um grupo de supostos efectivos da Polícia Nacional afectos à Guarda Fronteiras encontram-se a passar por necessidades de vária ordem por não receberem os seus salários há mais de oito meses, isto após terminarem o 21.° Curso Básico de Polícia e Especialização em Guarda Fronteiras, em 2025, na ascola "Mártires da Môngua", no município do Ambriz, província do Bengo.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
A não recepção dos ordenados tem causado constrangimentos no seio dos supostos efectivos da Polícia de Guarda Fronteiras pelo facto de terem famílias constituídas que carecem de sustento.
Segundo a denúncia, os lesados fazem parte de 994 militares transitados das Forças Armadas Angolanas (FAA) que terminaram o curso, divididos em dois Grupos, e duas épocas.
"O primeiro terminou a formação no dia 15 de Setembro de 2025, o segundo grupo terminou o curso no dia 16 de Fevereiro de 2026. Após o juramento da bandeira passamos a trabalhar normalmente, participamos activamente nas formaturas", contou um dos agentes.
Para o nosso entrevistado, a situação começou a se tornar preocupante quando nos dois primeiros meses notaram um atraso salarial.
"No princípio, mandavam-nos aguardar porque estavam em alguns acertos entre os ministérios do Interior, da Defesa e das Finanças. Já esperamos por muito tempo, estamos desesperados pelo tempo que nos encontramos sem salários; são quase oito meses e ninguém aparece para dar explicações sobre o que se passa", explicou o entrevistado.
O suposto agente acrescentou já terem procurado obter explicações por parte de seus superiores hierárquicos. "Alguns tentaram saber junto do Comando Geral sobre as razões de não termos os salários durante este tempo todo, mas tivemos que evitar a nos confrontar com os chefes para não sermos conotados e sofrermis represálias", observaram, os efectivos que dizem ser chefes de família e muitos dos colegas têm os lares destruídos, porque as esposas sabem que os maridos são polícias, mas nunca têm dinheiro para sustentar a família.
"Na verdade, estamos a passar uma grande vergonha", resumiu.
"Em nome dos colegas eu peço a quem de direito que olhe pela nossa situação; porque juramos a bandeira tal como os nossos superiores. Por favor, paguem os nossos salários, estamos a passar fome com as nossas famílias", rogou.
A nossa reportagem contactou o Diretor do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Comando Geral da Polícia Nacional, Subcomissário Mateus Rodrigues, que avançou tratar-se de um caso a ser averiguado.
“Acolhemos a denúncia dos efectivos, vamos averiguar e prestar uma informação em tempo oportuno", prometeu.
O Oficial chamou à atenção aos cuidados que se deve ter na partilha de informações relacionadas aos serviços castrenses, sublinhado serem assuntos que devem sempre merecer tratamento interno.
"Desde já, aproveitamos a ocasião para fazer saber aos efectivos, que constitui infracção grave, e é passível de sanção disciplinar, nos termos da Lei e dos regulamentos vigentes. As reclamações sobre situações internas da corporação devem merecer tratamento dentro das instituições vocacionadas dentro da corporação”, advertiu.








