Cidadã denuncia alegada burla de três milhões de kwanzas na compra de residência e acusa SIC-Calumbo de lentidão no tratamento do processo
Uma cidadã identificada como Claudeth Sebastião Domingos, residente no município do Calumbo, província de Icolo e Bengo, denuncia alegada morosidade no andamento de um processo-crime que corre termos no Serviço de Investigação Criminal (SIC) local, relacionado com uma suposta burla de mais de três milhões de kwanzas praticado por um alegado empreiteiro.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Segundo a denunciante, o cidadão Wilton Emanuel Cristóvão António, apresentado como empresário do ramo da construção civil, recebeu em Março de 2022 o montante de 3 milhões e 200 mil kwanzas para a venda de uma residência do tipo T3, localizada na zona do Zango, mas terá posteriormente comercializado o mesmo imóvel a outra cliente.
De acordo com Claudeth Domingos, o negócio foi formalizado na presença de duas testemunhas, identificadas como Dalinda João e Manuel Galiano.
“O senhor Wilton mostrou-me a casa e garantiu que entregaria as chaves e a documentação dentro de pouco tempo, alegando que ainda precisava fazer alguns retoques, enquanto aguardava descobri que o imóvel já tinha sido vendido a outra pessoa”, relatou.
A lesada afirma que, após tomar conhecimento da situação, procurou resolver o problema de forma amigável.
“Ele pediu desculpas e prometeu atribuir-me outra casa, a promessa nunca foi cumprida”, disse.
“A casa estava situada numa área praticamente desabitada, no meio do mato, e não possuía documentos, não aceitei”, explicou.
A cidadã acrescenta que, posteriormente o alegado empreiteiro comprometeu-se novamente a encontrar outra solução, mas a comunicação entre ambos tornou-se cada vez mais difícil.
“Inicialmente atendia as minhas chamadas, depois passou a ignorar-me e, quando atendia, fazia-o com desrespeito e ameaças, foi então que percebi que estava perante uma situação de burla”, afirmou.
Perante o impasse, Claudeth Domingos apresentou uma queixa formal junto do SIC-Calumbo, processo registado sob o n.º 1775/26-CLB.
“O processo não anda e, até onde sei, o acusado ainda nem foi notificado, tenho a impressão de que o caso foi engavetado e sequer chegou ao conhecimento do Ministério Público”, denunciou.
“Apresentei o talão de transferência do Banco Atlântico, a declaração de cedência reconhecida no Cartório Notarial de Viana e outros documentos que comprovam a transação, mesmo assim o processo continua sem avanços”, lamentou.
Diante da situação, a cidadã apela à intervenção urgente da Direção Nacional do SIC e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
“Peço ajuda às entidades competentes para que o meu caso seja resolvido, vivo numa casa arrendada com os meus filhos, enquanto a pessoa que me vendeu a casa continua a exibir uma vida confortável nas redes sociais”, declarou.
Contactado pelo Na Mira do Crime, o SIC rejeita acusação de engavetamento de documentos.
O director do SIC-Calumbo identificado apenas por Osvaldo, confirmou a existência do processo e esclareceu que a participação foi formalizada no dia 9 de Março do ano em curso, estando a investigação sob responsabilidade do instrutor Giliarte Gomes.
Conforme o responsável, o caso encontra-se ainda na fase de instrução preparatória, etapa em que são reunidos os elementos necessários para posterior remessa às instâncias judiciais.
“O processo não está engavetado, neste momento decorrem diligências próprias da fase de instrução preparatória.








