No Cuando - Família do inspector provincial da polícia denuncia detenção ilegal e acusa DIIP de montar armadilha
A família do superintendente-chefe, Vicente Domingos Napoleão Garcia, conhecido também como "FBI", inspector da Polícia Nacional na província do Cuando, denuncia o Departamento de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP) de suposta perseguição e de montar armadilha que culminou, há três meses, com sua detenção.
Por: Solange Figueira
Segundo os familiares do oficial, a detenção ocorreu depois de o inspector desmantelar uma rede de corrupção em que estariam envolvidos dois instrutores do DIIP que alegadamente comercializavam, através de terceiros, bens recuperados pela polícia e depois iam atrás dos meios já vendidos para acusar os compradores de receptadores.
De acordo com os filhos da vítima, o inspector foi detido no dia 20 de Março do ano em curso. Foi aberto um processo de averiguação junto à Inspecção. Averiguados os factos, o caso foi remetido à secção de Justiça e ao Comando Provincial do Cubango para abertura de um processo disciplinar.
Insatisfeitos com o trabalho da Inspecção, os agentes do DIIP acusados terão criado "uma armadilha para manchar o bom nome e a reputação do inspector provincial.
Como se não bastasse, a família alega que os agentes manipularam uma menina de 15 anos, cujos progenitores teriam sido pagos, para acusarem o inspector de crimes de rapto, cárcere privado e abuso sexual. Os mesmos agentes apareceram depois como instrutores processuais.
Os instrutores do DIIP que estavam a ser investigados pelo inspector têm processo na Inspecção; são os supostos acusados de planear a armadilha contra o inspector, e estão devidamente identificados: primeiro sub-chefe, Pedro Costa Wimbo Prata; e agente de 2ª classe, Jeremias Catimba Braga.
Segundo Hélder Garcia, filho da vítima, as datas alegadas pelos agentes não correspondem à verdade. Alegam-se os dias 7 e 13 de Março. No entanto, no dia 7, por exemplo, segundo a família, o inspector esteve no ginásio, precisamente às 12 horas, para dar boleia a uma amiga com quem foi à casa do digno Procurador Militar da Província, onde permaneceram até às 21 horas.
"No dia 10 do mesmo mês, meu Pai deslocou-se para Luanda a bordo de um Unimog, na companhia de dois colegas, em missão de serviço. Tinha também recebido convocatória da FAF para comissariar o jogo do Girabola Zap entre São Salvador e Guelson FC. Regressou apenas a Menongue no dia 16 de Março, o mesmo voo, com o procurador junto do DIIP e com a secretária do juiz presidente da comarca de Menongue", revelou.
Em sede de instrução contraditória, a menina alegou que só comeu uma vez durante em sete dias e não foi à casa de banho, pelo que, durante esse período, não fez nenhuma necessidade fisiológica. A família do Inspector afirma que tudo o que ela disse era mentira e que foi instruída pelos agentes.
Mesmo sendo réu primário e tendo residência fixa na província, sem risco de fuga por ser funcionário público, o inspector foi detido. A família fala em "autêntica sonegação de justiça" na comarca de Menongue. Diz ainda que não foram feitas diligências para aferir o álibi do arguido.
"Depois de completar um mês detido, o pai teve uma crise no estabelecimento penitenciário de Menongue, teve pressão arterial alta e problemas de elevação da glicemia. Os advogados pediram alteração da medida de coação pessoal aplicada, com laudos médicos anexos, mas o juiz de garantias indeferiu, por ter visto o arguido de pé na instrução contraditória", disse o filho.
Até ao momento, o inspector continua internado no Hospital Geral de Menongue. A família contesta ainda o exame médico: sem oficiosidade, sem indicação da unidade hospitalar nem da especialidade do médico, e inconclusivo quanto à suspeita de abuso sexual. Os advogados requereram que o caso fosse remetido ao Laboratório Central de Criminalística, mas sem sucesso.
O exame, segundo a fonte, foi ordenado pelo agente de 2ª classe Jeremias Catimba Braga, um dos agentes denunciados oficial detido.
A família presume que haja mais pessoas por trás do processo e clama por socorro e ajuda do Ministro do Interior, Manuel Homem. Deixa claro que a detenção deveu-se ao facto da vítima ter sido honesta e desmascarado colegas criminosos".
Contactada a polícia, promete se pronunciar nas próximas horas.








