Jovem de 25 anos de idade "executado" com tiro na nuca durante viagem de comboio no Namibe, agente da Polícia é principal suspeito
Um cidadão nacional, que em vida atendia pelo nome Faustino Pacheco, de 25 anos de idade, pescador de profissão, residente em Moçâmedes, província do Namibe, morreu no dia 8 de Junho do ano em curso, após ser atingido por um disparo de arma de fogo durante uma viagem de comboio com destino ao município da Bibala.
Por: Débora Manuel
De acordo com familiares e testemunhas ouvidas pelo Jornal Na Mira do Crime, o incidente ocorreu no dia 8 de Junho de 2026, durante a viagem, depois de uma alegada confusão registada numa das carruagens do comboio.
Segundo Daniel Ndala, amigo e colega de trabalho do malogrado, tudo começou quando uma passageira sentiu-se incomodada após ter visto uma faca que um grupo transportava.
“O agente policial que estava no comboio levou-nos para a última carruagem para uma revista. Depois surgiu uma discussão e mais tarde apareceu um outro indivíduo à paisana, que só mais tarde soubemos que de tratava de um agente policial”, contou.
De acordo com a testemunha, o agente à paisana, identificado pelos denunciantes como Bartolomeu, terá empurrado os jovens envolvidos e também um agente fardado, fazendo com que todos caíssem numa vala próxima.
“Eu vi o momento. Depois de caírem, ele manipulou a arma e apontou para baixo, na direcção dos jovens. Em seguida efectuou um disparo”, afirmou.
Segundo o relato, o tiro atingiu Faustino Pacheco na região da nuca e do pescoço.
“A distância era de cerca de um metro e meio. Foi apenas um disparo. O Faustino caiu imediatamente e não apresentou sinais de vida”, acrescentou.
A mesma testemunha afirma que, após o disparo, o agente terá proferido a seguinte frase: “Estão a pensar que essa merda é brincadeira ou aqui é na casa da mãe Joana”.
Familiares da vítima afirmam que Faustino não recebeu assistência médica e morreu no local.
O malogrado deixa esposa e uma filha com meses de vida.
A família informou ainda que já apresentou participação às autoridades competentes e aguarda pela atribuição do respectivo número de processo para acompanhamento formal do caso. Segundo os familiares, o agente apontado como autor do disparo encontra-se detido enquanto decorrem as investigações
“Só queremos justiça e que as autoridades esclareçam o que realmente aconteceu ao nosso familiar”, apelaram.
Contraditório
O Jornal Na Mira do Crime tentou contactar a Polícia Nacional, o Serviço de Investigação Criminal (SIC) no Namibe e os Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes para obter esclarecimentos sobre o caso e o posicionamento oficial das entidades envolvidas.
Contudo, até ao fecho desta edição, não foi possível obter qualquer resposta.
O caso continua a gerar indignação entre familiares, amigos e moradores locais, que aguardam pelos resultados das investigações e pelo esclarecimento das circunstâncias da morte de Faustino Pacheco.








