Durante Julgamento: Man Genas acusou afectivo do SIC de assalto e tentativa de homicídio
O Tribunal da Comarca de Luanda, Palácio Dona Ana Joaquina, deu início na manhã de sexta-feira, 26, na quinta secção, o julgamento do processo número 1566/26-E, em que é arguido Jelson Manuel Quintas e co-arguida a sua esposa Clemência Suzete, acusados pelo Ministério Público nos crimes de instigação pública ao crime, associação criminosa e ultraje ao Estado e aos símbolos da República.
Por: Cambuta Vieira
Em sede de audiência, nas questões prévias, o mandatário judicial do arguido, pediu que a sessão fosse adiada em função do acórdão do tribunal da relação em que o arguido foi absolvido pelos mesmos crimes que está sendo acusado neste processo, pedido indeferido pelo colectivo de juízes.
Durante o interrogatório, Jelson Manuel Quintas disse que, em 2022 elementos do SIC, introduziram-se na sua residência e alvejaram-lhe com quatro tiros que atingiram a região da cara, braço e peito, quando este foi fazer queixa no SIC Geral, e encontrou o efectivo identificado por Silvio.
Man-genas terá o reconhecido e, de imediato, o então director do SIC-Luanda, Comissário de Investigação Criminal Receado ordenou a detenção do efectivo.
Passado dois dias, disse, um grupo composto por seis elementos, encapuzados, munidos de armas de fogo, arrombaram a sua residência novamente, situação essa que fez com que Jelson viajasse para a República da Namíbia, depois para África do Sul, onde também foi procurado por elementos desconhecidos, por essa razão, seguiu para Moçambique, detalhou o arguido. Em Moçambique terá criado a página casal Man-Genas para denúnciar a situação que vivia em Angola.
Passado cinco dias, explicou que o cidadão identificado por Victor Hugo Mendes, terá ligado para o arguido alegando que os Serviços Secretos de Angola queria falar com ele.
Passado alguns dias, continuou, supostos elementos da secreta, na pessoa do senhor Feliciano Macedo reuniram com o casal, alegadamente amando do Presidente da República, em um dos hotéis de Maputo, dando garantias que no prazo de três dias iriam a busca deles para os proteger.
"Para meu espanto, eu vou almoçar no Maputo Shopping onde vejo a senhora ministra do interior de Moçambique, Assina Massinga e o comandante da polícia local, e fui detido horas depois pelas autoridades moçambicanas", explicou.
Durante a sessão, o arguido explicou que parte dos vídeos publicados nas plataformas digitais não eram da sua autoria.
Em plena sessão, foram exibidos alguns áudios, e o arguido afirmou que os mesmos feitos com intuito de tornar público as suas denúncias. Os juízes, ao se depararem com um disco partido em plena sessão de julgamento, entenderam ser imperioso que se oficia o laboratório de criminalista, no sentido de proceder auxílio na identificação do conteúdo que nela consta, pois julgam tratar-se de elementos probatório de interesse relevantes para a descoberta da verdade material.
O mandatário judicial, Alberto Quichinacho disse que houve "politiquices" dentro do processo, ainda na fase de instrução preparatória. "Nós interpusemos três habeas corpus ao juiz presidente da comarca de Luanda, mas não respondeu nenhum deles, nós escrevemos reclamações e pedidos de urgências, um deles quando foi ordenado a sua soltura, neste processo número 1566, o juiz ordenou mandado de condução para cumprimento da pena, nós escrevemos urgentemente para o juiz presidente para que pudesse permitir o cumprimento da soltura, mas sem sucesso, a prisão de Jelson é propositada", observou.
De realçar que o Ministério Público não fez a leitura da peça acusatória, apenas a juíza se limitou em dizer os crimes em que o arguido vem acusado.
Man-genas encontra-se preso na cadeia de São Paulo, não no processo actual, mas pelo processo número 465/25. A próxima sessão de julgamento está marcado para o dia 17 de Julho, pelas 09 horas.








