Cidadão com problemas psicológicos morre carbonizado numa casa abandonada no Hoji-ya-Henda - Filho diz que os irmãos da vítima se apoderaram dos bens do malogrado antes da morte
Um cidadão nacional que em vida respondia pelo nome João Fernando Massango, de 52 anos de idade, morreu carbonizado, na passada terça-feira, no dia 23 do mês em curso, na sequência de um incêndio ocorrido numa residência abandonada em que vivia, na Dimuca, no bairro da Encib, município do Hoji-ya-Henda.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Os relatos no local atestam que a vítima vivia separada da família desde o ano 2002, momento em que terá sido diagnosticado com uma doença de fórum psicológico.
Momentos depois passou a viver numa casa abandonada onde os moradores depositavam o lixo, próximo a Igreja Adventista do Sétimo dia, na Dimuca.
Em entrevista exclusiva ao Jornal Na Mira do Crime, um dos filhos, que pediu anonimato, disse que o facto terá ocorrido por volta das 13 horas, quando os moradores aperceberam-se da fumaça que saía do interior da casa onde a vítima se alojava.
"Chegaram pessoas em minha casa, por volta das 14 horas, a informar que a casa onde ele se alojava estava em chamas e tudo fizeram para o salvar, mas não foi possível", contou.
Durante a entrevista, o jovem avançou que o seu progenitor era detentor de várias casas, entre as quais uma localizada no Zango e a outra na zona do Panguila, que terão sido recebidas pela irmã da vítima, quando este foi assolado pela doença.
"Quando a situação da saúde piorou, a irmã dele, a minha tia, retirou-nos da casa onde moravámos, a minha mãe teve que se refugiar connosco, ainda pequenos, na zona das Mabubas, aqui na Dimuca, mas o pai seguiu sempre os nossos passos, embora vivendo nas ruas", contou.
De acordo com o filho, a vítima passou por momentos difíceis durante o tempo em que permaneceu nas ruas, enfrentando ataques por parte de pessoas desconhecidas devido aos seus problemas mentais.
"As pessoas sempre o agrediam, por vezes o acusavam de furto e, não só, os jovens do bairro invadiam a casa onde ele se refugiava só para o insultar e bater-lhe. Muitas vezes fui chamado para levá-lo ao hospital", explicou o filho.
O entrevistado sublinhou que a mãe passou por situações menos agradáveis para criar quatro filhos gerados durante a união conjugal com a vítima, facto que nem a família do pai terá se importado.
"Quando a doença começou éramos apenas crianças, depois de crescermos pedimos que a tia partilhasse connosco o dinheiro que ela recebe do arrendamento das casas do meu pai, aceitou a proposta, mas nunca cumpriu, infelizmente tivemos que parar de andar atrás dela, alguém que sabe que recebeu as casas de um irmão com problemas psicológicos, que vive na rua e tem filhos que precisam também de se beneficiar daquilo que o pai trabalhou não pode se comportar desta forma", lamentou o jovem.
Um dos moradores do bairro disse que a vítima foi encontrada já carbonizada após os efectivos dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros terem desencadeado manobras para acudir a situação.
"Não foi a primeira vez que aconteceu, várias vezes a casa onde ele dormia pegou fogo, não sei se alguém tem feito isto propositadamente ou então ele próprio, mas desta vez a população não conseguiu salvar-lhe, morreu de forma muito desumana nesta casa", recordou.








