Família de militar detido por alegado homicídio de um cidadão senegalês denuncia prisão injusta e garante inexistência de provas
A família de Africano Valdir Mendes Bernardo, de 33 anos de idade, militar do Exército e engenheiro mecânico, denuncia alegadas irregularidades no processo-crime em que o militar é arguido por um suposto crime de homicídio qualificado relacionado com a morte do cidadão senegalês Mamadou Adama Diallo, ocorrida no dia 11 de janeiro de 2025, na Rua da Liberdade, município do Rangel, em Luanda.
Por: Adão Paxi
Em declarações ao Jornal Na Mira do Crime, Santa Luís Tavares, de 39 anos de idade, irmã do acusado, afirma que o familiar permanece em prisão preventiva há vários meses sem que existam provas que sustentem a acusação.
Segundo a denunciante, o seu irmão foi detido no dia 16 de Dezembro de 2025, no seu local de serviço, na província da Huíla, concretamente na cidade do Lubango, em cumprimento de um mandado de detenção.
No dia seguinte, foi transferido para Luanda, onde passou a responder pelo processo.
De acordo com a entrevistada, inicialmente o militar desconhecia as razões da sua detenção..
Mais tarde foi informado que estava a ser acusado por um colega de serviço identificado como Yuri Bruno Neto, com quem estudou na Rússia e que também pertence às Forças Armadas Angolanas.
"A princípio, o meu irmão não sabia do que estava a ser acusado, depois soubemos que a denúncia partiu de um colega de serviço, mas até hoje não foi apresentada qualquer prova que demonstre o seu envolvimento no crime. O meu irmão sempre afirmou que não participou no assalto nem tem qualquer ligação com os factos", declarou.
Africano Bernardo permaneceu oito dias detido antes de ser ouvido pelas autoridades.
Como a família ainda não dispunha de assistência jurídica, o arguido foi encaminhado para a Comarca de Viana, onde lhe foi aplicada a medida de prisão preventiva por quatro meses.
Durante esse período, acrescenta a família, foi constituído um advogado e passou a desenvolver diligências para que o militar pudesse responder ao processo em liberdade, por entender que não existem elementos probatórios suficientes para justificar a sua manutenção em prisão.
"Quando o Africano chegou à Comarca de Viana, encontrou-se com o próprio Yuri Bruno Neto, que, alegadamente, lhe terá dito que nunca o acusou voluntariamente", diz a nossa entrevistada.
"Segundo o meu irmão, o Yuri afirmou que foi coagido durante os interrogatórios. Disse que sofreu agressões e que os investigadores encontraram conversas telefónicas entre ambos, concluindo, pelo facto de serem amigos e militares, que o Africano também estaria envolvido no caso", afirmou.
Santa Tavares refere ainda que, no mês de Fevereiro do ano em curso, a advogada da família requereu uma acareação entre os envolvidos.
A diligência contou com a presença de inspectores do SIC-Geral, de Africano Valdir Mendes Bernardo, de Yuri Bruno Neto e de Edivânio Oliveira, igualmente constituído arguido no mesmo processo.
"Durante a acareação, o Yuri Bruno Neto retirou as acusações que anteriormente recaíam sobre o meu irmão. No entanto, fomos posteriormente informados de que o juiz entendeu que o processo ainda necessitava de mais investigação e, por isso, a situação manteve-se inalterada", explicou.
A família considera estar perante uma situação de injustiça e sustenta que, até ao momento, nem o denunciante nem o Ministério Público apresentaram provas materiais que sustentem a acusação.
"Nós sentimos que o nosso familiar está a ser injustiçado. Primeiro porque quem o acusou acabou por retirar as acusações. Segundo porque, até agora, não conhecemos qualquer prova apresentada pela Procuradoria-Geral da República que demonstre o envolvimento dele neste crime", concluiu Santa Luís Tavares.








