Paciente que morreu no Hospital do Capalanga por negligência médica e em condições desumanas foi a enterrar nesta terça-feira- Ninguém foi responsabilizado até agora
Um cidadão nacional que em vida respondei pelo nome Félix de Oliveira Valente, de 28 anos de idade, residente no município dos Mulenvos, perdeu a vida na sexta-feira, dia 26 do mês em curso, por suposta negligência médica no Hospital do Capalanga, município dos Mulenvos, onde terá dado em entrada com problemas de infeção respiratória.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
A vítima padecia de dores no peito e, na manhã do dia 26, sexta-feira, em companhia do seu irmão e a esposa dirigiram-se ao Hospital do Capalanga para uma consulta médica, e teve observação médica por volta das 7 horas da manhã.
Segundo o senhor Domingos de Oliveira Valente, irmão da vítima, foi recomendado ao doente a fazer um Raio X, feito e observado pelo médico, os familiares foram informados que o paciente precisava de ser evacuado com urgência para um hospital de referência, porque estava com uma infecção respiratória grave, do tipo tuberculose.
"Colocaram-lhe numa sala com falta de higiene, com as camas empoeiradas bidões com urina por baixo das camas e nos cantos. Na sala, estavam mais dois pacientes e os enfermeiros, que apenas canalizaram a veia e foram-se embora sem prestar qualquer assistência a eles", contou.
Acrescentou que o irmão terá passado por momentos difíceis e aos poucos, devido o estado de saúde que piorava ainda mais naquele hospital, acabou por morrer.
"Ele precisava de oxigénio, estava com muita dificuldade de respirar, e piorou a situação porque a sala onde foi colocado estava abafada, com muito mau cheiro, porque as casa de banho estão entupidas, então os doentes e os familiares usam aquele quintal para fazerem as necessidades biológicas, ao lado mesmo da sala onde estão os doentes com tuberculose", explicou.
O irmão avançou que tanto a vítima assim como os dois pacientes internados na mesma sala, terão passado mais de oito horas a espera da assistência.
"Um dos jovens que estava internado na mesma sala, saiu várias vezes a gritar por socorro, porque o meu irmão precisava de oxigénio, fui ao consultório pedir ajuda a um dos médicos, mas ele expulsou -me, inclusive chamou um dos seguranças para colocar-me fora do hospital", denunciou.
De acordo o nosso entrevistado, houve um momento em que o irmão caiu da cama, "o jovem que estava com ele voltou a gritar por ajuda, uma das estagiárias disse que não podia entrar ali por ter pessoas com doença contagiosas, mas os outros pacientes que estavam sentados a espera de serem atendidos entraram, colocaram o meu irmão na cama e chamaram os médicos, infelizmente nada fizeram e voltaram nos seus consultórios", lamentou o irmão.
"Portanto", disse o entrevistado, "por volta das 14 horas os jovens doentes voltaram a pedir socorro pelo seu irmão e, quando às pessoas entraram, infelizmente, Félix já estava a perder a vida", lagrimou.
Uma das pacientes que acompanhou o desenrolar dos factos, sublinhou que o corpo clínico terá agido de má fé e falta de amor ao próximo, que por sinal, é um dos principios recomendáveis aos profissionais de saúde.
"Estava a espera de uma consulta ortopédica, e acompanhei o sofrimento da vítima e dos dois outros pacientes que com ele estavam, conseguíamos ouvir os gritos do jovem antes de morrer, ele gritava muito e os médicos nem se importavam, cheguei a pensar que eram pessoas com problemas psicológicos, mas quando ele caiu da cama e outro gritou por socorro, logo nos deparamos com uma sala com doentes e totalmente sem dignidade", denunciou.
"Ninguém conseguiu suportar o cheiro naquele quintal e na sala onde estavam os pacientes, via-se o estado traumatizado em que os outros jovens se encontravam ao ver o companheiro sem vida. Não sei como é possível que um doente com falta de ar não recebe assistência médica e nem é transferido para um outro hospital, ele morreu por negligência dos médicos", atestou.
Mediante à denúncias relacionadas ao caso chegado a este jornal, na manhã de sábado, 27, a reportagem do Na Mira do Crime deslocou-se ao referido hospital para ouvir o corpo clínico e constatar a veracidade dos factos.
A nossa reportagem chegou ao Hospital do Capalanga quando eram precisamente 8 horas da manhã, e primeiramente fez uma ronda à volta de alguns sectores.
Às 8 horas e 20 minutos, a reportagem dirigiu-se ao gabinete do utente, após insistência em bater à porta para atendimento, um dos utentes chamou a atenção ao dizer:
"Podes bater a porta até amanhã, ninguém vai te atender, esse gabinete parece que foi posto para enfeitar o hospital, nunca atendem às pessoas", atirou.
A nossa reportagem aproveitou o momento para falar com alguns utentes que apresentaram algumas reclamações sobre o atendimento.
"Aqui o trabalho é maioritariamente feito pelas estagiárias, que estão sempre ao telefone, tratam às pessoas com muito desdém porque acham-se mais importantes", denunciou o pai de uma menor na pediatria.
Acrescentou que a falta de higiene é um dos factores que inquieta os utentes.
"Aqui mete medo, tanto de dia como de noite, até os cães fazem ronda no hospital, ficam ao lado das pessoas, colocando em risco a vida dos pacientes e seus familiares, porque a qualquer momento podem atacar alguém. Graças a Deus ainda não aconteceu", agradeceu o senhor.
Momentos depois, contactamos a Doutora Laurinda, directora clínica do referido hospital, que começou por desmentir as acusações que recaem sobre aquela unidade.
"Trata-se de um paciente que chegou ao hospital nas primeiras horas da manhã do dia da ocorrência, não condiz com a verdade que terá ido a óbito por negligência médica", desmentiu.
Explicou que o paciente deu entrada com problemas de infeção respiratória, do tipo tuberculose, com tosse, dor do peito, febres altas e dificuldades respiratórias.
"Recebeu os primeiros cuidados médicos. Por "exemplo", disse a directora clínica, "o paciente foi submetido a análises laboratoriais tais como a pesquisa de plasmódio, que teve o resultado positivo a paludismo, correspondente à 160 ml de mercúrio e, fez o Raio X do tórax. Outros procedimentos médicos também foram aplicados, mas só que o quadro clínico do paciente piorou e foi à óbito, no período de tarde".
A reportagem pediu ao corpo directivo do hospital que fossemos ao local onde os factos ocorreram, pelo que deparou-se com uma equipe de limpeza no local.
"Eles começaram a limpar o quintal da sala onde estava o moço que morreu, tão logo passaste com os médicos a visitar outras salas, mas tudo isso foi para apagar as provas da falta de higiene neste hospital", segredou uma senhora que tinha o filho internado.
A vítima exercia a actividade de moto-táxi, deixa esposa com quatro filhos, dentre os quais um bebê de apenas uma semana de vida.








