Polícia não se pronunciou - Família quer esclarecimento sobre o caso do jovem "abatido" com tiro na cabeça no interior do aterro sanitário por suposto agente da Polícia
Um cidadão nacional que em vida respondia pelo nome Jorge Francisco Adão, de 20 anos de idade, residente no município de Cacuaco, imediações dos dois campos (Mulenvos de baixo), foi morto por disparos de arma de fogo efectuado por um suposto agente da Polícia Nacional, no último sábado, 27 de Junho, no interior do aterro sanitário nos Mulenvos.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Em declarações exclusivas ao Jornal Na Mira do Crime, a família do malogrado explicou que a vítima e dois familiares seus, por sinal tios do malogrado, têm recorrido ao aterro sanitário para apanhar matérias ferroso.
Segundo um dos tios que testemunhou os factos, e que pediu anonimato, a vítima e demais catalisadores, por volta das 13 horas do dia da ocorrência, escalaram a carroçaria de uma viatura que deu entrada no aterro sanitário com o objetivo de extrair materiais que carregava para o lixo.
"Um dos polícias alertou -nos que tínhamos que descer porque o colega dele estiva bêbado e a qualquer momento faria tiros contra nós, assim que ele terminou de falar ouvimos disparos de arma de fogo em nossa direção, um dos quais atingiu a cabeça do meu sobrinho", contou.
O senhor acrescentou que após ter feito os disparos, o autor, identificado por Afonso Teca, Subinspector da polícia, afecto da Unidade de Segurança de Objectivos Estratégicos, retirou-se do local em companhia do seu colega. "Ficamos revoltados, todos nós no aterro sanitário pegamos o meu sobrinho já morto, levamos até a balança onde são pesados os carros que entram no aterro sanitário, então aproveitei correr para casa para avisar a família do que tinha acontecido.
Mas assim que voltei com a família ao local encontramos o corpo próximo ao posto da polícia, no interior do aterro", explicou.
Em entrevista ao Na Mira do Crime, Jorge Francisco, avó do malogrado, avançou que após os disparos, foram accionadas as forças da ordem que criaram um aparato para impedir a revolta por parte das pessoas que protestavam pelo acto do polícia no aterro sanitário. "Tentamos obter informações diante do posto policial do aterro, mas davam-nos muitas voltas, recorremos a uma esquadra próximo ao bairro Papá Simão, que controla os efectivos da polícia colocados no interior do aterro sanitário", informou.
O entrevistado avançou que foi em audiência, na sexta-feira, dia 3, pelo senhor Sérgio, Director da Educação Patriótica, que esteve acompanhado pelo senhor José Fernando, logístico do Comando Províncial e o senhor Samuel Domingos, da acção social.
"Pediram desculpas pelo acto e sua excelência senhor Sérgio orientou que se prestasse apoio a logística do óbito, desde a aquisição da urna ao apoio da alimentação dos presentes no óbito e criar condições para ajudar nas despesas'', disse. O avô do malogrado sublinhou ter apresentado outros pontos durante o encontro, dentre eles a falta de transparência na Morgue Central de Luanda.
"No local há papéis colados na parede a informar que não se paga os serviços prestados, mas tivemos que pagar 7 mil e 500 kwanzas para retirar o corpo do local onde o Serviço de Investigação Criminal (SIC) colocou, no dia seguinte tivemos que pagar mais 5 mil kwanzas para levarem o corpo a sala de autópsia e, só para a dispensa da autópsia emitida pelo SIC, também pagamos 5 mil Kwanzas. Mas não se admite que uma pessoa que a própria polícia é que matou, nós família temos que gastar este dinheiro todo", reclamou o avô do malogrado.
A vítima deixa esposa e um bebê de um (1) mês de vida. A nossa reportagem contactou o Superintendente-chefe Nestor Goubel, Porta-voz do Comando Províncial de Luanda, que prometeu pronunciar -se oportunamente.








