Esteticista "Leonice" detida pelo DIIP após mulher ficar em estado crítico durante alegado procedimento de hidrolipo em Luanda
Uma cidadã nacional, identificada como Leonice, também conhecida por “Nice”, de 43 anos de idade, foi detida esta terça-feira pela Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP), por suspeitas de envolvimento num caso em que uma mulher de 37 anos de idade ficou em estado crítico após ser submetida a um alegado procedimento de hidrolipo (procedimento estético minimamente invasivo focado na remoção de gordura localizada em áreas específicas do corpo), numa clínica de estética, em Luanda.
Por: Débora Manuel
Segundo o porta-voz do DIIP, Intendente Quintino Ferreira, a investigação teve início após familiares da vítima apresentarem uma participação criminal, denunciando que a paciente sofreu uma paragem cardiorrespiratória durante o procedimento estético realizado no passado dia 1 de Julho.
De acordo com o oficial, após tomar conhecimento da ocorrência, a Polícia Nacional elaborou um expediente remetido ao Ministério Público, que emitiu mandados de detenção, busca, revista e apreensão. “Ocorreu uma participação sobre uma cidadã de 37 anos que se dirigiu a uma clínica de estética para realizar um procedimento estético. Infelizmente houve uma situação que correu mal e a paciente teve de ser encaminhada para uma unidade hospitalar, onde permanece em estado muito crítico”, explicou.
Ainda segundo Quintino, durante as diligências, os investigadores constataram que a suspeita alegadamente preparava-se para abandonar o país.
“Encontrámos muitas dificuldades para localizá-la. Ela chegou a planificar a fuga para o exterior, tendo inclusive efectuado o check-in online.
Contudo, fruto do trabalho de inteligência criminal, foi possível impedir a fuga e proceder à sua detenção hoje, em Luanda”, afirmou.
O responsável acrescentou que a suspeita será presente ao Ministério Público, enquanto prosseguem as investigações para apurar a legalidade da clínica, as qualificações da responsável e as circunstâncias em que o procedimento foi realizado.
Questionado sobre o licenciamento do estabelecimento, o porta-voz esclareceu que esta em fase da investigação e contará igualmente com a participação das entidades competentes responsáveis pela fiscalização das unidades de saúde e estética.
“Esses procedimentos estão agora a ser desenvolvidos. A legalização das instituições depende de outros órgãos e todos os documentos recolhidos serão analisados para determinar se o espaço reunia ou não os requisitos legais para funcionar”, disse.
O DIIP apelou ainda para que eventuais pessoas que aleguem ter sido lesadas na mesma clínica apresentem formalmente as respectivas participações junto das autoridades. Família pede justiça Ao Na Mira do Crime, Cidalina da Silva, irmã da vítima, contou que a irmã regressou recentemente ao país e decidiu submeter-se ao alegado procedimento de hidrolipo na clínica de estética de Leonice, conhecida por “Nice”.
Segundo a familiar, a vítima deslocou-se à clínica, onde realizou alegados exames preliminares, mas afirma que nunca lhe foram apresentados os respectivos resultados. “No dia do procedimento, a minha irmã ligou-me apenas para dizer que já estava na clínica. Horas depois recebemos a informação de que tinha entrado em paragem cardíaca.
Até hoje ninguém nos explicou exactamente o que aconteceu”, lamentou. Cidalina afirma que a irmã foi transportada pela própria responsável da clínica para a Clínica General Katondo, já em paragem cardiorrespiratória, onde permanece internada em estado crítico.
Segundo a família, a paciente desenvolveu edema cerebral devido ao período em que permaneceu sem oxigenação adequado. Os familiares afirmam ainda que parte do cérebro encontra-se paralisado e que os rins e o fígado apresentam comprometimento funcional, agravando significativamente o seu estado clínico.
A família refere igualmente que a paciente desenvolveu pneumonia e alega que foi orientada a alimentar-se antes do procedimento. Os familiares afirmam possuir o termo de consentimento, exames, documentos, fotografias e outros elementos já entregues às autoridades competentes. “Nós só queremos justiça. Se houve negligência, que os responsáveis sejam responsabilizados. A nossa irmã continua a lutar pela vida”, apelou. As investigações prosseguem sob coordenação do Ministério Público.








