Após detenção de esteticista: Cliente denuncia alegadas irregularidades e exige devolução de mais de 2,5 milhões de kwanzas
Na sequência da detenção da esteticista Leonice, conhecida por “Nice”, por suspeitas de envolvimento no caso da paciente que ficou em estado crítico após um alegado procedimento de hidrolipo, uma nova denunciante procurou o Jornal Na Mira do Crime para relatar alegadas irregularidades na mesma clínica. A cliente afirma ter desistido do procedimento antes da intervenção por desconfiar das condições em que seria realizado o procedimento e exige a devolução de 2.510.000 kwanzas pagos antecipadamente.
Por: Débora Manuel
A denunciante, que solicitou anonimato por recear represálias, contou que procurou a clínica no dia 17 de Junho do ano em curso, para uma avaliação, tendo sido atendida pela proprietária do estabelecimento e por uma assistente.
Segundo relatou, durante a consulta recebeu informações consideradas superficiais sobre o procedimento e afirma que, em nenhum momento, lhe foram recolhidos os dados pessoais de forma adequada.
A cliente disse ainda que foi persuadida a efectuar o pagamento imediato para não perder uma alegada campanha promocional. Na ocasião, entregou 500 mil kwanzas, além de 10 mil kwanzas referentes à consulta. Dias depois, liquidou os restantes dois milhões de kwanzas, totalizando 2.510.000 kwanzas.
Posteriormente, foi chamada para realizar alegados exames pré-operatórios. No entanto, afirma que ficou surpreendida com as condições em que foram efectuados.
“Nem dez minutos fiquei naquela sala. Tiraram apenas sangue, mediram a pressão arterial e nunca mais me apresentaram qualquer resultado dos exames”, contou.
Segundo a denunciante, as dúvidas aumentaram quando recebeu orientações para o dia do procedimento. “Disseram-me que devia comer bastante antes da cirurgia, de preferência funge ou massa com frango, e ir bem alimentada.
Achei tudo muito estranho, porque sempre ouvi dizer que uma cirurgia exige jejum”, afirmou. A cliente refere ainda que, ao procurar esclarecimentos sobre os exames, recebeu a informação de que a clínica encontrava-se encerrada por “motivos alheios”.
Pouco tempo depois tomou conhecimento do caso da paciente que se encontra internada em estado crítico. “Naquele momento percebi que Deus me livrou. Se eu tivesse seguido em frente, talvez estivesse na mesma situação”, declarou.
A denunciante afirma possuir comprovativos de pagamento, transferências bancárias, conversas mantidas com funcionários da clínica e outros documentos que, segundo diz, comprovam todo o processo. “Não fiz qualquer procedimento. Apenas quero que devolvam o meu dinheiro, porque paguei por um serviço que nunca chegou a ser realizado”, apelou.
Após a detenção da responsável da clínica, a cliente decidiu tornar pública a sua experiência e espera que as autoridades apurem todas as denúncias relacionadas com o estabelecimento. O caso continua sob investigação da Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP) e do Ministério Público.








