Cliente pede responsabilização: Agência de viagens acusada de alegadamente burlar perto de 2 milhões de Kwanzas e falsificar documentos
Um cidadão nacional acusa a agência de viagens Bossanga Travels, alegadamente gerida por David Bossanga, de o ter lesado em Akz 1.950.000.00, no âmbito de processos para obtenção de vistos para Portugal, envolvendo a sua esposa, a sua irmã e, posteriormente, o seu próprio processo. O denunciante alega ainda que a empresa apresentou documentos alegadamente falsificados e abandonou os processos após receber os pagamentos.
Por: Welwitschia Mirabilis
Segundo Pedro Lando Kinanga, de 27 anos de idade, empreendedor, tudo começou nos finais de Outubro de 2025, quando decidiu, juntamente com a sua esposa, procurar novas oportunidades de formação e trabalho em Portugal.
De acordo com o denunciante, a sua esposa já conhecia a agência Bossanga Travels e os seus responsáveis, identificados como David Bossanga, apresentado como CEO da empresa, bem como indivíduos conhecidos por Mbappe e Nsimba.
Pedro afirma que reuniu-se pessoalmente com David Bossanga, conhecido já há algum tempo, tendo, na ocasião, negociado sobre os serviços para obtenção dos vistos.
Segundo relata, no início de Novembro de 2025, efectuou uma primeira transferência no valor de 750 mil Kwanzas para dar início ao processo da sua esposa.
Cerca de um mês depois, voltou a recorrer à agência para tratar do processo da sua irmã, efectuando uma segunda transferência de 650 mil kwanzas. Na ocasião, Bossanga garantiu que ambos os processos estariam concluídos no prazo máximo de três meses.
Contudo, terminado o período acordado, Pedro afirma que não recebeu qualquer resposta concreta sobre o andamento dos processos.
“O senhor David Bossanga começou a apresentar sucessivas justificações que nunca explicavam o incumprimento do acordo”, afirmou.
Segundo o denunciante, à medida que insistia por informações, os contactos telefónicos e as contas nas redes sociais passaram a ser bloqueados pelo responsável da agência.
Pedro afirma ainda que efectuou diversas deslocações à sede da empresa, localizada na Rua B, segunda travessa do Tala-Hady, município do Cazenga, mas encontrou o estabelecimento encerrado.
Mais tarde, contou, David Bossanga voltou a desbloqueá-lo no WhatsApp, tornando este o único meio de comunicação entre ambos.
O denunciante afirma que, posteriormente, o responsável apresentou diversos documentos relacionados com os processos da esposa e da irmã.
Entretanto, sustenta que apenas mais tarde constatou que vários desses documentos apresentavam alegadas irregularidades. Entre os documentos entregues encontravam-se matrículas em centros de formação profissional em Portugal, termos de responsabilidade, extractos bancários, documentos de financiadores, reservas de hotel, agendamentos na VFS e outros elementos necessários para instrução dos processos.Apesar disso, afirma que nenhum dos processos chegou a ser submetido às autoridades consulares portuguesas.
De acordo com o denunciante, num dos casos, David Bossanga justificou a situação alegando que o Consulado de Portugal encontrava-se encerrado devido a um feriado.
No outro processo, afirmou que um certificado de habilitações permanecia na posse de um parceiro da empresa, impedindo a entrega da documentação.
Tempos depois, Pedro afirma que decidiu igualmente contratar os serviços da agência para tratar do seu próprio processo de visto. Para isso, efectuou nova transferência no valor de 550 mil kwanzas.
Após este último pagamento, afirma que David Bossanga voltou a desaparecer, deixando novamente de responder às mensagens e chamadas.
No total, o denunciante afirma ter pago Akz 1.950.000,00 exclusivamente através de transferências bancárias e possui comprovativos de todas as operações.
Pedro sustenta ainda que tentou resolver o assunto de forma amigável, solicitando a devolução dos valores entregues, mas afirma nunca ter obtido qualquer restituição.
Ele diz que conhece pelo menos outras quatro pessoas que alegadamente terão sido lesadas em circunstâncias similares.
Pedro afirma já ter participado o caso às autoridades competentes e espera que os factos sejam devidamente investigados.
“O nosso objectivo é recuperar os valores monetários pagos e que os responsáveis sejam responsabilizados civil e criminalmente pelos prejuízos causados”, declarou.
O Jornal Na Mira do Crime teve acesso aos comprovativos das transferências bancárias, mensagens trocadas entre as partes e outros documentos apresentados pelo denunciante, que, segundo este, sustentam as alegações constantes da presente reportagem.
Bossanga não reage
O Jornal Na Mira do Crime procurou, desde sábado, obter a versão do senhor David Bossanga, apontado como responsável pela agência Bossanga Travels, relativamente às alegações apresentadas pelo denunciante. Contudo, até ao fecho desta edição, não foi possível obter o seu pronunciamento.
No decurso das diligências, a equipa de reportagem contactou também a esposa de David Bossanga, que informou apenas que a agência se encontra actualmente encerrada, alegadamente por ter sido alvo de um assalto, acrescentando que não tinha mais nada a declarar sobre o assunto.
Este jornal mantém total abertura para publicar quaisquer esclarecimentos ou a posição oficial de David Bossanga e da Bossanga Travels, em respeito ao princípio do contraditório, da presunção de inocência e do rigor jornalístico.







