Após chumbo da candidatura ao cadeirão máximo dos camaradas: Higino Carneiro orienta os seus apoiantes a "combaterem" "malfeitores" dentro do MPLA
Ao reagir à primeira fase do chumbo da sua candidatura à presidência do MPLA, Higino trouxe uma expressão celebre e incisiva: “Temos que combater os malfeitores que estão dentro do partido”. Sem nomes nem rostos, quem são os malfeitores, afinal?"
Por: Lito Dias
Na tarde desta quarta-feira, 22, a decisão da Subcomissão de Candidaturas do MPLA de rejeitar a sua candidatura à presidência do partido parece ter caído como um balde de água fria sobre o general de quatro estrelas na reforma e seus seguidores, embora os outros tenham já previsto tal desfecho.
Numa mensagem em áudio partilhado nas redes sociais e não só, Higino Carneiro apelou à calma dos seus apoiantes, sublinhando que o processo de apresentação de candidaturas apenas termina em Outubro e que, por essa razão, considera prematuro que a subcomissão fale em nulidade nesta altura. Deixando a entender que "a luta vai continuar", foi peremptório: “não pode haver nulidade”. No entanto, para tal desiderato, pede união entre os seus apoiantes, defendendo a necessidade de “combater os malfeitores que estão dentro do partido e que provocam toda essa desgraça nacional”.
O político, que já foi governador das províncias do Cuando Cubano, Cuanza Sul e Luanda, incentiva os seus apoiantes a mobilizarem-se em defesa da sua candidatura, através da divulgação de áudios e vídeos em que manifestem publicamente o seu apoio e confirmem que subscreveram a sua candidatura, com o objectivo de exercer pressão junto da subcomissão.
O dedo indicador de Higino Carneiro é apontado à Subcomissão de Candidaturas com a qual ficou surpreendido, pelo facto de várias subscrições recolhidas em províncias como a Huíla e o Cuanza Sul não terem sido consideradas válidas pelo referido órgão, questionando os critérios utilizados no processo de validação.
Um dia antes, a subcomissão anunciou a rejeição da candidatura de Higino Carneiro, alegando a existência de graves irregularidades na documentação apresentada, incluindo alegadas falsificações de assinaturas e utilização indevida de documentos de identificação, do que valeu à nulidade da candidatura.
Cerco apertado a Higino De recordar que Higino Carneiro não trava apenas batalha em sede dos preparativos do congresso do partido durante o qual pretende concorrer à sua presidência.
Ele trava também uma batalha judicial; é arguido em dois processos-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR): o Processo n.º 46/19, por alegados crimes de peculato e branqueamento de capitais, e o Processo n.º 48/20, por alegada burla qualificada e peculato.
No primeiro, o Ministério Público acusa Higino Carneiro de usar indevidamente fundos públicos destinados ao desenvolvimento social e económico da província do Cuando Cubano para a construção e gestão de empreendimentos turísticos e hoteleiros em benefício próprio. No segundo foi formalmente notificado em Junho de 2026. Processo n.º 48/20 (Luanda), relacionado com um alegado esquema na aquisição de viaturas e desvio de fundos que se destinavam originalmente à reparação de estradas.
Os advogados de Higino Carneiro têm contestado as acusações e invocado vícios processuais, mantendo-se aplicável o princípio da presunção de inocência.









