JL convoca reunião do MPLA para decidir novo processo contra Higino Carneiro
Estão a ser atribuídas ao Presidente do MPLA, João Manuel Gonçalves Lourenço, orientações para a realização de uma reunião de alto nível, marcada para esta quarta-feira, 22, na sede do partido, destinada a analisar uma proposta relacionada com a eventual responsabilização criminal do general na reforma Higino Lopes Carneiro.
Da reunião deverá resultar um documento político que sustente a impossibilidade da sua candidatura à presidência do MPLA, com base na alegada existência de processos judiciais pendentes.
Trata-se da primeira reunião partidária liderada por João Lourenço desde o seu regresso ao país, após uma deslocação ao Brasil, onde realizou tratamento médico.
Embora tenha efectuado algumas actividades públicas desde o seu retorno, o Chefe de Estado apenas retomou, na segunda-feira, 21 de Julho, a sua agenda de trabalho na Presidência da República, onde permaneceu por um período inferior a duas horas.
Fontes partidárias indicam que, na sequência do anúncio da invalidação da candidatura de Higino Carneiro pela Subcomissão de Candidaturas ao IX Congresso Ordinário do MPLA, João Lourenço decidiu convocar uma reunião restrita para avaliar os próximos passos relativamente ao futuro político do antigo governador de Luanda, que pretende disputar a liderança do partido. João Lourenço e Higino Carneiro mantiveram, durante vários anos, uma relação política próxima.
O general desempenhou missões consideradas sensíveis para a liderança do país e, segundo fontes conhecedoras do processo, beneficiou do arquivamento de investigações que corriam na Procuradoria-Geral da República, incluindo um processo relacionado com a sua gestão à frente do Governo Provincial de Luanda.
De acordo com as mesmas fontes, parte da documentação constante desse processo fazia referência a despesas alegadamente efectuadas em benefício da campanha eleitoral de João Lourenço em 2017, através de recursos do Governo Provincial de Luanda, então dirigido por Higino Carneiro. As mesmas fontes sustentam que a relação entre os dois dirigentes deteriorou-se quando Higino Carneiro manifestou a intenção de concorrer à presidência do MPLA no próximo congresso ordinário, decisão que terá sido interpretada como um acto de ruptura política.
Perante o enfraquecimento dos processos relacionados com a sua passagem por Luanda, terão sido reactivadas investigações ligadas à sua gestão na província do Cuando Cubango, numa tentativa de desencorajar a sua candidatura.
Entretanto, a equipa jurídica de Higino Carneiro já anunciou que irá recorrer da decisão da Subcomissão de Candidaturas, que rejeitou a sua candidatura por alegadas irregularidades na documentação apresentada, incluindo assinaturas consideradas inválidas ou desconformes com os requisitos estabelecidos pelo regulamento do congresso.
C/ Club K








