Estados Unidos procuram cobre, RD Congo procura mediador, Angola cobra a ambos
Os EUA fecharam 753 milhões de dólares no corredor do Lobito. A RDC também entregou à Mota-Engil a ferrovia do seu lado da fronteira. Mas o acordo de paz de Trump esvai-se, o prazo para a retirada das tropas ruandesas expira sem efeito e Kinshasa já procura mediador noutras capitais. Luanda fica com o betão, enquanto a mediação só poderá regressar em 2027, com a sucessão de João Lourenço
3 de julho, a Africa Finance Corporation anunciou o fecho financeiro de 753 milhões de dólares (658,5 milhões de euros) para a reabilitação do caminho-de-ferro do Lobito, a maior operação de financiamento de infraestruturas transfronteiriças em curso em África. O grosso do dinheiro, 553 milhões, vem da Development Finance Corporation, a agência de financiamento ao desenvolvimento do Governo americano. Os restantes 200 milhões vêm do Banco de Desenvolvimento da África Austral.
A concessionária que os recebe, a Lobito Atlantic Railway, é uma joint venture entre a portuguesa Mota-Engil e a trader suíça Trafigura. E a estruturação financeira teve a Eaglestone, banco de investimento com raízes em Lisboa, como coassessora.
A mais de dois mil quilómetros dali, o comité que supervisiona os Acordos de Washington entre a República Democrática do Congo (RDC) e o Ruanda preparava mais uma ronda de conversações, desta vez na Suíça, para tentar salvar um acordo de paz que o Presidente norte-americano deu por concluído em dezembro e que, no terreno, nunca produziu um cessar-fogo estável. Ao fim de ano e meio de política africana de Donald Trump, o betão avança mais depressa do que a paz.
C/ Expresso










