Angola acolhe conferência que reúne chefes militares africanos para discutir terrorismo, segurança e desenvolvimento
Luanda tornou-se, nesta terça-feira, 30 de Junho, o centro das atenções da segurança em África ao acolher a 7.ª Conferência dos Chefes de Estado-Maior da Defesa de África (ACHOD 2026), evento que reúne líderes militares de vários países do continente, representantes dos Estados Unidos da América, organizações internacionais e parceiros estratégicos para discutir soluções conjuntas face ao terrorismo, crime organizado, cibercriminalidade e outros desafios que ameaçam a estabilidade regional.
Por: Débora Manuel
A cerimónia de abertura decorreu numa unidade hoteleira em Luanda, sob o lema “Aproveitando os nossos pontos fortes: promover a segurança regional para uma prosperidade duradoura”, reunindo chefes de Estado-Maior da Defesa de África, altos oficiais das Forças Armadas Angolanas (FAA), representantes do Comando dos Estados Unidos para África (AFRICOM), diplomatas, organizações internacionais e membros da indústria da defesa.
Na sua intervenção de boas-vindas, o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, General de Aviação Altino Carlos José dos Santos, afirmou que Angola recebe a conferência com elevado sentido de responsabilidade, considerando o encontro um espaço privilegiado para o fortalecimento da cooperação militar e da paz no continente.
O oficial-general destacou ainda que Angola continuará comprometida com os esforços regionais destinados à prevenção de conflitos, à estabilidade e ao reforço das capacidades das Forças Armadas africanas.
Em representação do Presidente da República e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas, João Manuel Gonçalves Lourenço, o Ministro de Estado e Chefe da Casa Militar do Presidente da República, João Ernesto dos Santos “Liberdade”, declarou oficialmente aberta a conferência.
Durante o seu discurso, o governante afirmou que a escolha de Angola para acolher o encontro representa o reconhecimento do papel que o país tem desempenhado na promoção da paz, da estabilidade regional e da resolução pacífica dos conflitos.
Segundo o ministro, o continente enfrenta ameaças cada vez mais complexas, como o terrorismo, o extremismo violento, o crime organizado transnacional, o tráfico ilícito de armas e pessoas, a pirataria marítima, a cibercriminalidade, a desinformação e os efeitos das alterações climáticas.
Para João Ernesto dos Santos, nenhum país conseguirá enfrentar sozinho estes desafios, defendendo uma cooperação cada vez mais estreita entre os Estados africanos, baseada na partilha de informações estratégicas, no fortalecimento das capacidades militares e no investimento em novas tecnologias.
O governante sublinhou igualmente que segurança e desenvolvimento económico são inseparáveis, defendendo que apenas um ambiente estável poderá atrair investimentos, criar emprego e impulsionar o crescimento sustentável das economias africanas.
O Comandante do AFRICOM, General Dagvin Anderson, reforçou a necessidade de uma resposta conjunta às ameaças que afectam o continente, alertando para a expansão dos grupos terroristas em várias regiões de África, sobretudo no Sahel e na África Ocidental.
Segundo o oficial norte-americano, as redes criminosas ligadas ao terrorismo, tráfico de droga, contrabando, desinformação e criminalidade transnacional actuam para além das fronteiras nacionais, exigindo uma cooperação permanente entre governos, forças militares e instituições civis.
Defendeu ainda que o futuro da segurança passa pela inovação tecnológica, inteligência artificial, cibersegurança e fortalecimento das capacidades institucionais dos Estados africanos.
Por sua vez, a Encarregada de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos da América em Angola e São Tomé e Príncipe, Shannon Cazeau, reafirmou o compromisso do Governo norte-americano em continuar a aprofundar a parceria estratégica com Angola.
A diplomata destacou a assinatura do Programa de Parceria entre o Estado do Ohio e Angola, ocorrida na véspera da conferência, considerando que o acordo simboliza o fortalecimento da cooperação bilateral nas áreas da defesa, segurança e desenvolvimento.
Segundo Shannon Cazeau, os Estados Unidos reconhecem Angola como um parceiro estratégico e um actor relevante para a estabilidade da África Austral, sublinhando que segurança, investimento e desenvolvimento económico caminham lado a lado.
Recordou ainda os investimentos norte-americanos no Corredor do Lobito, em infra-estruturas energéticas, tecnologia e cibersegurança, defendendo que ambientes seguros são fundamentais para atrair investidores e promover prosperidade.
Durante os três dias da conferência, os participantes irão analisar temas ligados ao terrorismo, extremismo violento, segurança marítima, inteligência artificial, inovação tecnológica, combate ao crime organizado transnacional, cibersegurança, partilha de informações e reforço da arquitectura africana de paz e segurança.
Uma das principais novidades desta edição será a realização de sessões regionais reservadas entre os chefes das delegações, conduzidas sob a Regra de Chatham House, mecanismo internacional que garante confidencialidade às discussões e incentiva um diálogo mais aberto sobre questões estratégicas de defesa.
A Conferência dos Chefes de Estado-Maior da Defesa Africanos decorre até ao próximo dia 1 de Julho, devendo culminar com recomendações destinadas a reforçar a cooperação militar, a estabilidade regional e a capacidade dos países africanos responderem, de forma coordenada, às actuais ameaças à segurança do continente.










