Jovens que assassinaram motorista de aplicativo com injecção de água de bateria estão a julgados por tentativa de homicídio de um outro motorista - Vitima diz que passou de queixoso a declarante
O motorista de táxi por aplicativo, Osvaldo Resende, de 27 anos de idade, residente no Sector B, município de Talatona, manifesta preocupação com o andamento do processo no Tribunal da Comarca de Luanda – Dona Ana Joaquina, alegando ter deixado de ser considerado vítima para passar à condição de declarante, mesmo depois de ter reconhecido quatro indivíduos, alegadamente membros de uma associação criminosa, supostamente envolvidos numa tentativa de homicídio ocorrido durante uma corrida realizada no dia 24 de Setembro de 2025, em Luanda.
Por: Kihunga Bessa
Em exclusivo ao jornal Na Mira do Crime, a vítima relata que o incidente ocorreu quando trabalhava como motorista da plataforma Yango e, após receber um pedido de corrida nas imediações do Morro da Luz, no município da Samba, deslocou-se até ao ponto de partida, junto ao supermercado AngoMart, na zona da Rocha Padaria, onde apanhou um grupo de quatro passageiros que afirmaram ter como destino o Benfica.
"Posto no local, encontrei quatro cidadãos nomeadamente Daniel do Nascimento Branco, Denílson João da Costa (Metralha), Pedro Jucelino, Mariano André Muhongo, suposto efectivo da Polícia Nacional, Jurono Pedro, Bento Lourenço Ngamba, Wilson Daniel Tomás e Daniel Luís", disse.
Acrescentou que, ao longo do percurso, a viagem decorreu aparentemente sem incidentes.
Antes de seguir para o destino final, o motorista decidiu abastecer a viatura. Depois de tentar, sem sucesso, abastecer em duas bombas de combustível devido à elevada procura, dirigiu-se a um posto de abastecimento na zona do Benfica.
Após o abastecimento, os passageiros alteraram o percurso inicialmente indicado pela aplicação e orientaram o motorista a seguir pela entrada da PIR, alegando que se dirigiam à residência da namorada de um deles.
Pouco depois, disse, um dos ocupantes pediu que parasse, alegando que precisava urinar.
Foi nesse momento que, segundo o denunciante, os passageiros anunciaram o assalto.
Sob ameaça de arma de fogo, exigiram os dois telemóveis da vítima, juntamente com os respectivos códigos de acesso, além de terem subtraído cerca de 150 mil kwanzas, valor pertencente ao patrão do motorista, uma mascote de prata e outros bens pessoais.
A vítima afirma ainda que, durante o assalto, um dos suspeitos aplicou-lhe várias injecções no ombro direito, enquanto outro tentou asfixiá-lo com uma corda. Apesar das agressões, conseguiu escapar da viatura e fugir, pedindo socorro a populares. Os suspeitos tentaram colocar a viatura em funcionamento, mas, sem sucesso, tendo abandonado o local e colocarem-se em fuga.
"Depois fui socorrido por uma patrulha da Polícia Nacional no município de Belas e encaminhado ao Hospital Geral, onde recebi assistência médica. Graças a Deus, os exames realizados revelaram que não sofri lesões graves", explicou.
No dia seguinte, a vítima apresentou queixa junto do Serviço de Investigação Criminal (SIC), no piquete da Esquadra do Bairro Huambo, município da Samba. Com recurso ao sistema de localização GPS instalado nos telemóveis roubados, as autoridades realizaram diligências que culminaram na localização e detenção dos suspeitos.
Segundo a vítima, durante os interrogatórios, os implicados terão confessado o crime e admitido, igualmente, o envolvimento no homicídio de um outro motorista de táxi por aplicativo.
Posteriormente, foram presentes ao Ministério Público e ao Juiz de Garantias, que lhes aplicou a medida de coacção de prisão preventiva.
Entretanto, o processo, registado sob o n.º 1247/26-B, começou a ser julgado no Tribunal da Comarca de Luanda – Dona Ana Joaquina. A vítima afirma que a primeira sessão, realizada no dia 2 do corrente mês, decorreu sem o seu conhecimento, tendo sido notificada apenas para comparecer na segunda sessão, realizada no dia 6.
A terceira audiência teve lugar no dia 16, estando a leitura da sentença agendada para a próxima quinta-feira, dia 23, às 10 horas.
Osvaldo Resende manifesta preocupação com o andamento do processo, alegando que deixou de ser considerado vítima para passar à condição de declarante, uma vez que o tribunal decidiu concentrar o julgamento no processo relacionado com o homicídio de outro motorista de aplicativo.
A vítima receia que os arguidos possam ser colocados em liberdade e venham a retaliar contra si.
Segundo afirma, apesar de terem confessado os crimes durante a fase de investigação, os acusados negaram todas as acusações perante o tribunal.









