Foi operado no Maria Pia - Idoso de 69 anos vive há 14 anos com fragmento de ferro alojado na perna e pede intervenção médica
Um cidadão nacional, identificado como Bernardo Simão Malanga, de 69 anos de idade, natural do município de Luquembo, província de Malanje, residente no bairro da Paz, município do Hoji-ya-henda, em Luanda, vive há cerca de 14 anos com um fragmento de ferro alojado na perna, na sequência de um acidente de viação ocorrido em 2011, tendo, segundo o próprio, em 2014, procurado o Hospital Josina Machel (Maria Pia) para a retirada do material, procedimento que não teria sido realizado alegadamente devido à ausência do médico de nacionalidade cubana que acompanhava o caso.
Por: Adão Paxi
Em declarações ao Jornal Na Mira do Crime, na sexta-feira, 17, o idoso afirmou que, após o material ter partido durante o período de recuperação, procurou várias unidades hospitalares, mas não conseguiu realizar uma nova intervenção cirúrgica.
De acordo com o entrevistado, em 2012, quando se dirigia para o trabalho, foi atropelado por uma viatura, tendo o motorista permanecido no local, prestado socorro e assumido as despesas do seu tratamento no Hospital Josina Machel (Maria Pia)
“Depois do acidente, fui levado para o Hospital Maria Pia. Fiquei três dias internado e depois fui submetido a uma operação. Dois dias depois, recebi alta”, contou.
Após deixar o hospital, Bernardo permaneceu em casa, aguardando a realização dos curativos no pé, onde havia sido colocado um ferro. No entanto, cerca de dois anos depois, durante o período de recuperação, acabou por sofrer uma nova queda.
“Por causa de um descuido em casa e porque as muletas já não estavam em boas condições, tropecei e caí. Foi nessa altura que o ferro partiu dentro do meu pé”, explicou.
Preocupado com a situação, dirigiu-se novamente ao Hospital Maria Pia, mas afirma que não recebeu o atendimento esperado.
“Fui ao Hospital Maria Pia, mas os profissionais disseram que não podiam fazer nada, porque o médico que tinha realizado a operação era cubano e já tinha regressado ao seu país”, relatou.
Diante da situação, Bernardo foi obrigado a contactar novamente o homem que o havia atropelado, pedindo-lhe que o acompanhasse ao Hospital Geral do Bengo, na tentativa de encontrar uma solução.
“Fomos ao Hospital Geral do Bengo, mas disseram-nos que também não podiam fazer nada, porque, se o hospital onde fui operado não tinha resolvido o problema, eles também não podiam fazer nada”, afirmou.
Sem alternativas, o idoso conta que procurou uma clínica privada, onde, segundo ele, um médico de nacionalidade chinesa terá sugerido a amputação da perna.
Aos 69 anos, Bernardo afirma que convive diariamente com dores e que, em algumas noites, não consegue dormir.
“Às vezes, não consigo dormir por causa das dores. Já são 15 anos a viver com este ferro dentro do corpo”, lamentou.
Os familiares apelam à intervenção das autoridades competentes e das instituições de saúde, para que Bernardo Simão Malanga seja submetido a uma avaliação médica especializada e possa encontrar uma solução para o problema que o acompanha há cerca de 14 anos.
Contactada, a direcção do Hospital Josina Machel (Maria Pia) explicou que os médicos cubanos costumam cumprir períodos de serviço de dois a três anos, pelo que, desde a altura em que o paciente foi atendido, poderão ter passado pela unidade hospitalar diferentes profissionais.
A direcção garantiu, igualmente, que o paciente poderá ser novamente observado, devendo, para o efeito, comparecer na unidade hospitalar.
Segundo a instituição, já se passaram cerca de 13 anos desde a última vez que o paciente esteve no hospital, período durante o qual passaram pela unidade vários médicos e responsáveis de direcção.







