Empresa JJ Madilo: Maqueiros e pessoal de limpeza dos Hospitais Bispo Emílio de Carvalho, Dom Alexandre do Nascimento e Hospital Geral de Luanda entram em greve por 11 meses sem salários
Funcionários da empresa JJ Madilo Comércio Geral e Prestação de Serviços iniciaram uma greve no dia 10, em protesto contra o atraso no pagamento de salários que, segundo denunciam, já dura até 11 meses para os trabalhadores mais antigos.
Por: Adão Paxi
Segundo os funcionários, a empresa possui cinco turnos, cada um composto por 11 trabalhadores, mas a adesão ao trabalho tem diminuído devido aos constantes atrasos no pagamento dos salários.
"Somos cinco turnos com 11 trabalhadores cada. Muitos colegas já deixaram de comparecer ao serviço por causa dos atrasos salariais e da falta de credibilidade e responsabilidade da empresa", relatou um dos trabalhadores.
Os denunciantes afirmam que os trabalhadores mais antigos acumulam 11 meses sem receber salários, enquanto outros contabilizam sete e oito meses de vencimentos em atraso. Recordam ainda que, em anos anteriores, a empresa chegava a atrasar os pagamentos durante quatro meses, regularizando apenas no quinto, situação que, segundo dizem, se agravou significativamente.
Além dos salários em atraso, os funcionários denunciam a falta de contratos de trabalho formalizados, ausência de cartões de identificação profissional e o não cumprimento do salário mínimo nacional actualizado. Os trabalhadores prestam serviços terceirizados como maqueiros, pessoal de limpeza e de apoio nos Hospitais Geral de Viana (Bispo Emílio de Carvalho), Dom Cardeal Alexandre do Nascimento e Hospital Geral de Luanda.
"Somos tratados como descartáveis. Trabalhamos sem contratos assinados, sem cartões de identificação e sob constante pressão psicológica. Enquanto isso, os gestores da empresa dividem os valores que recebem do Estado e nós continuamos sem salários", desabafou outro funcionário.
Os grevistas afirmam que a falta de remuneração tem provocado graves consequências sociais. Muitos dizem ter sido despejados das casas arrendadas por incumprimento das rendas, enquanto outros enfrentam dificuldades para alimentar as suas famílias, pagar o transporte para o trabalho e garantir a educação dos filhos.
Contactada pelo Jornal Na Mira do Crime, a direcção da empresa garante que estão a ser desenvolvidos mecanismos para resolver a situação dos trabalhadores.
Segundo o responsável, a direcção está empenhada em encontrar soluções para regularizar os salários em atraso e ultrapassar os constrangimentos que afectam a empresa, apelando à compreensão dos funcionários, enquanto decorrem os esforços para a normalização da situação.






