Famílias contestam versão da polícia sobre morte de dois jovens no Kilamba Kiaxi e negam envolvimento em assalto
Os familiares de Domingos Vivaldo, de 19 anos de idade, e Josué de Carvalho Sebastião, também de 19 anos de idade, contestam a versão apresentada pela Polícia Nacional sobre a morte de dois jovens, ocorrida na madrugada desta terça-feira, 14, no município do Kilamba Kiaxi, arredores do Hospital Divina, rejeitando as acusações de que as vítimas estariam envolvidas num assalto à mão armada e afirmando que os jovens foram baleados sem qualquer confronto com os agentes da autoridade.
Por: Adão Paxi
Segundo a versão divulgada pela Polícia Nacional, dois presumíveis assaltantes perderam a vida por volta das 2 horas da madrugada, nas imediações do Hospital Divina Providência, na Avenida Pedro de Castro Van-Dúnem Loy, durante uma intervenção de efectivos da Brigada Auto da Unidade de Reacção e Patrulhamento (URP-Luanda).
De acordo com a corporação, os suspeitos, alegadamente munidos de uma pistola, estariam a assaltar cidadãos na via pública quando foram surpreendidos pelos efectivos da Polícia.
Ao se aperceberem da presença da Polícia, teriam tentado fugir e efectuado disparos contra os agentes, que responderam à agressão, atingindo mortalmente os dois indivíduos.
Entretanto, em declarações ao Jornal Na Mira do Crime, os familiares das vítimas apresentaram uma versão completamente diferente dos acontecimentos.
Francisco Deigues Domingos, irmão de Domingos Vivaldo, explicou que o jovem saiu de casa na tarde de segunda-feira, 13, depois de ter recebido um telefonema de uma prima.
"Ontem, por volta das 17 horas, a minha prima ligou para o meu irmão para que ele fosse à nossa casa, porque iam colocar-lhe aparelho nos dentes. O consultório fica mesmo perto da nossa residência, no Capolo II, junto aos aviários", explicou.
Segundo o familiar, Domingos regressou mais tarde e voltou a sair por volta das 20 horas para encontrar-se com amigos.
"Por volta das 20 horas, ele saiu com os amigos. A nossa mãe ofereceu-lhe uma motorizada para que deixasse de pedir motas emprestadas aos amigos, porque ele gostava muito de conduzir", contou.
Já António Alexandre Sebastião, de 33 anos de idade, irmão de Josué de Carvalho Sebastião, afirmou que os quatro jovens encontravam-se num convívio e que, posteriormente, decidiram deslocar-se em duas motorizadas para comprar pão com frango na zona do Avô Kumbi.
"Eles estavam num convívio, por volta das 20 horas. Eram quatro pessoas em duas motorizadas. Decidiram ir ao Avô Kumbi comprar pão com frango. No regresso, foram
interpelados pela Polícia. Tentaram fugir, mas depois pararam. Quando os agentes chegaram, não procuraram identificar ninguém e começaram logo a disparar", contou.
Segundo o familiar, Josué foi atingido com um disparo na região do abdómen, enquanto Domingos sofreu dois disparos na cabeça.
"Os outros dois jovens também foram baleados nas pernas e conseguiram escapar. Neste momento, um encontra-se internado no Hospital Geral e o outro no Hospital do Kapalanga", informou.
António Alexandre Sebastião rejeita igualmente a versão apresentada pelas autoridades.
"Eles mataram os miúdos e colocaram armas ao lado deles para dizer que houve resistência. Isso é mentira", acusou.






