Falta de cumprimento do caderno reivindicativo leva trabalhadores da ZEE-EP à greve
Os trabalhadores da Zona Económica Especial – Empresa Pública (ZEE-EP) realizam, nesta segunda-feira, 20 , uma greve geral com prazo de cinco dias, em protesto ao alegado incumprimento do caderno reivindicativo por parte da direcção da empresa. A paralisação foi
aprovada durante Assembleia Geral Extraordinária realizada na quinta-feira, 17 , do mês em curso naquela instituição.
Por: Kihunga Bessa
Segundo apurou o Na Mira do Crime dos trabalhadores, uma das principais reivindicações é a atualização salarial, reclamada desde 2022. Os funcionários afirmam que a administração tem justificado o não aumentos com a alegada falta de recursos financeiros.
No entanto, questionam a aquisição de mais de 40 viaturas destinadas a chefes de departamentos, antigos directores e assessores, alegando que os veículos representam um investimento superior a 18 milhões de kwanzas cada.
Os trabalhadores contestam ainda a contratação de empresas terceirizadas para serviços de limpeza, nomeadamente a Issulana e a Setec Utilities S.A, apesar de a ZEE-EP dispor de funcionários que, segundo afirmam, já desempenham essas funções.
Outro ponto de descontentamento prende-se com a atribuição de habitações. De acordo com os trabalhadores, em 2013 a empresa informou que, em parceria com a Imogestin, seriam disponibilizadas residências aos funcionários.
Para o efeito, os trabalhadores entregaram documentação e preencheram fichas de inscrição, tendo sido informados de que receberiam as casas no prazo de seis meses. Contudo, alegam que nunca beneficiaram das habitações e que, posteriormente, algumas residências da centralidade Vida Pacífica foram atribuídas a diretores.
Os trabalhadores referem ainda que, em 2021, a ZEE-EP beneficiou de 25 residências disponibilizadas pelo Ministério das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação. Segundo os mesmos, duas casas foram entregues a funcionários em fase de reforma, enquanto as restantes 23 foram distribuídas por sorteio.
Porém, alegam que muitos beneficiários nunca chegaram a receber as habitações, sustentando que estas terão sido novamente atribuídas a membros da direção, em centralidades como Zango 8.000, Marconi, Kilamba e Vida Pacífica.
Os funcionários afirmam igualmente que, em 2025, o Conselho de Administração anunciou um novo acordo com o Ministério das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação para garantir moradias a todos os trabalhadores, tendo cedido um lote de terreno na ZEE, nas proximidades do Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto.
Apesar das expectativas criadas, os trabalhadores dizem não ter tido acesso às residências prometidas. Em Janeiro deste ano os trabalhadores tomaram conhecimento de que os membros da comissão responsável pelas negociações das habitações teriam sido os principais beneficiários.
Face à situação, a Comissão Sindical solicitou visitar as habitações, mas afirma que os trabalhadores foram conduzidos a uma área onde existiam apenas obras em fase inicial, e não às residências que lhes haviam sido prometidas.
Além das questões salariais e habitacionais, os trabalhadores acusam a direção da empresa de não regularizar o subsídio e de não proceder às promoções de carreira previstas no caderno reivindicativo.
Segundo os grevistas, a única reivindicação atendida pela administração foi a aquisição de autocarros para o transporte dos trabalhadores. Alegam ainda que, enquanto as suas principais reivindicações permanecem sem resposta, dirigentes da empresa continuam a beneficiar de cartões de compras e de outras regalias.








