Estrangeiros "estão a ser maltratados" na cadeia de Viana
O Namira do Crime sabe que está em curso a "Operação Transparência", iniciada a 25 de setembro e que decorre em sete das 18 províncias do país - Lunda Norte, Lunda Sul, Moxico, Bié, Malanje, Cuando Cubango e Uíje, entretanto estendidas a mais quatro (Luanda, Bengo Cuanza Norte e Zaire) e que visa combater a exploração indevida de diamantes, bem como a imigração ilegal.
O NMC, depois de denuncias relacionadas a maus-tratos contra cidadãos estrangeiros, naquela unidade penitenciária, fez-se presente ao local e ouviu o lamento de dezenas de mulheres.
Domingas Alberto, esposa de Mamadou Bailabá, por exemplo, explicou que o seu marido, oriundo do Mali, foi detido no dia 10 de Setembro do ano em curso, e até hoje não teve contacto com o seu familiar. " Estamos a ser maltratadas, quando chegamos aqui (na cadeia) os efectivos do SME ou a PGR não nos dão nenhuma informação, tenho cinco filhas com o meu marido, todas registadas aqui, ainda o governo não quer saber de nós”, lamentou.
A esposa de Aboubakar Dialó, viajou de Kwanza Norte para acudir o marido que se encontrava na capital para fazer compras para o seu estabelecimento, infelizmente, diz, o Dialó foi apanhado numa operação e acabou por perder os seus bens avaliados em 1 milhão e 800 mil kwanzas.
“Os agentes dos Serviços de Migração e Estrangeiros apanharam o meu marido no interior de uma viatura alugada, onde levava os produtos adquiridos para a venda no nosso armazém, infelizmente, mesmo a pedir para que se apreendesse também os bens com que se acompanhava, os efectivos do SME ditaram ordem de prisão para o meu esposo, e deixaram o motorista fugir com a mercadoria”.
Os casos contados pelos populares que se deslocam todos os dias junto à cadeia de estrangeiros em Viana, diferem entre os estrangeiros que dizem ter documentos e são ignorados pelas autoridades em busca de ‘gasosa’, até aqueles que, mesmo provando que vivem em Angola há muitos anos e têm um número elevado de filhos e são o sustento da família não são tidos nem achados.
O flagrante, lamentam os populares, principalmente estrangeiros, recaem para os quatro cidadãos que perderam a vida na cadeia e, acrescentam, por se desconhecer a localização dos familiares, vão acabar por ser enterrados em solo angolano.
Vestidos com a mesma roupa e sem direito à comida de familiares
De acordo com os familiares que conseguiram contacto com os presos, sarna, desnutrição e pressão psicológica é o dia-dia no interior das celas da Cadeia do Km 44.
"Eles não aceitam a comida das famílias, não aceitam a roupa que trazemos...estão a ser tratados como altamente perigosos. Os nossos filhos estão a sofrer pela ausência dos pais, o governo tem que ver o nosso caso", pediu Teresa Fató, cidadã angolana.











