Agente de trânsito que fugiu da IGAE está suspenso e responde processo disciplinar
Um agente da Polícia de trânsito fugiu - como se de um marginal se tratasse - após ter sido abordado por um Inspector da Inspecção Geral do Estado (IGAE).
Por: Matias Miguel
O vídeo do facto que terá ocorrido na tarde da passada terça-feira, 09 de Fevereiro, no largo do 1º de Maio, em Luanda, e viralizou nas redes sociais, com um número considerável de partilhas nas mais diferentes plataformas digitais, entre elas, o Facebook e Whatsaap.
Segundo apurou o Na Mira do Crime, de fontes abalizadas no assunto, o agente da Polícia de Trânsito, identificado por Flávio Luís Filipe, de 38 anos de idade, colocado na Unidade Operativa de Luanda, colocou-se em fuga após ter sido autuado, em flagrante delito, numa acção de extorsão de quatro mil Kwanzas a um automobilista que, apesar de ter a documentação da viatura e pessoal em ordem, foi-lhe exigidos os respectivos valores, sob pretexto de irregularidades graves que dariam a apreensão da sua viatura.
Aflito e, sem ter onde se socorrer, a não ser da máxima segundo a qual – “a gasosa é o entendimento entre o polícia e o cidadão” - cedeu a chantagem e ao não ter em mãos o dinheiro em causa, recorreu a um terminal de multicaixa para ter o dinheiro e ver-se livre da infracção.
“Ciente de que não tinha cometido irregularidades alguma, o cidadão ligou para o terminal de denúncias da IGAE para participar o caso”, explicou o Inspector Frederico Lima Jamba da IGAE.
De acordo com o oficial, o cidadão de 28 anos de idade, prestou a denúncia ao call center da IGAI revelando o facto tendo, de imediato, os inspectores da IGAE partido para o local do crime.
Suspenso e com processo disciplinar
Entretanto, não obstante ter-se colocado em fuga, num autêntico acto de desespero, o Na Mira do Crime sabe que Flávio Luís Filipe - o agente em causa - está suspenso das suas funções e foi-lhe aplicado um processo disciplinar que corre os seus trâmites legais.
Casos atrás de casos
Esta não é a primeira e tão pouco, pelo andar da carruagem, será a última vez que situações dessa natureza vão ocorrer em Luanda, senão mesmo pelo País, em função da enraizada corrupção que graça na Polícia Nacional, por sinal, um mal que o Comissário-Geral Paulo Gaspar de Almeida tem encontrado alguma resistência por parte de alguns efectivos e até mesmo de algumas chefias deste órgão castrense.
Segundo Frederico Jamba, na semana passada um outro agente de viação e trânsito viu-se arrolado num processo de extorsão, alegando falta de documentação depois de ter exigido a quantia de dois mil kwanzas a um moto-taxista, na zona do São Paulo, onde nos últimos tempos, passou a ser um ponto forte destes meios rápidos.
Frederico Jamba, que também é o Director de denúncias e queixas da IGAE, deplora o facto de maus exemplos e actos de improbidades públicas virem de efectivos da Polícia Nacional, “um órgão que deveria servir de exemplo para a sociedade” e alerta a que venha a se sentir lesado por estas práticas indecorosas a denunciar através do terminal 119 da IGAE.
Actividades da IGAE moraliza sociedade
Para Leonel Camoma, Especialista em Recursos e Gestão Humana, as actividades da IGAE estão a moralizar a sociedade e combater a pequena corrupção no sector público e privado, com maior incidência aos de prestação de serviço aos cidadãos.
“A IGAE tem feito um bom trabalho em nome da moralização da sociedade e isso é assinalável ao deter e publicar actos de pequena corrupção a destacar, sectores considerados crónicos da função pública, dos quais, infelizmente, desfilam a Polícia Nacional, os serviços de registos civil e notariado, de identificação civil”, sublinhou, que nesse combate surge também o valor acrescentado do papel que as redes sociais têm tido de forma positiva.
Por outro lado, para esse especialista, é importante que os sectores considerados crónicos façam um trabalho interno onde devem reiteram as desvantagens dos actos da pequena corrupção.
“Porque senão vejamos: Como é possível tanta e tamanha teimosia dos efectivos da Polícia Nacional que, em plena luz do dia e ao olhos dos cidadãos tenham o descaramento de partir para actos de extorsão? Isso é inaceitável”, concluiu.
Dois pesos e duas medidas
Entretanto, alguns círculos angolanos apontam o IGAE, pela negativa, como estando a manchar o bom nome da corporação, na medida que um agente que é apanhado a extorquir dois mil kwanzas é apresentado aos órgãos de comunicação social, em horário nobre – no telejornal – e gestores públicos que sobre facturam obras do PIIM e desviam altas somas do erário público continuam desconhecidas e no anonimato.
“É preciso não haver aqui dois pesos e duas medidas, sendo que, não importa a dimensão do crime todos devem ter o mesmo tratamento perante a lei, tal como consagra a nossa lei magna. Mas não é o que temos vindo a notar”, garantiu Manuel André, especialista em segurança privada, que apela a um tratamento igual para não manchar apenas o nome de quem ‘supostamente’ “rouba galinha e ficar impune ou imaculado os gatunos de colarinho branco”.








