Angolanas casadas com estrangeiros continuam a espera dos maridos encarcerados há mais de seis meses
Fátima Lourenço, esposa de Boubakar Baobá, por exemplo, tem cinco filhos com o marido e estão todos registados pelo pai, e todos possuem nacionalidade angolana.
“O meu marido foi detido no mercado do 30, há mais de dois meses, pediram os documentos dele e apresentamos, o documento dos filhos que atestam que são realmente dele e apresentamos, mas ainda assim continua na cadeia. O que nos informam na PGR é que o número de processo do meu marido foi alterado, por isso ainda não foi solto”, lamentou.
Madó Esperança é esposa de Diakité Lassana, com o qual gerou 3 filhos e espera um quarto. “O meu marido perdeu os documentos, fruto do trabalho que exige muito dele para puder sustentar a nossa família, ainda não tratou todos os papeis. Quando foi detido, fomos a PGR que está no estabelecimento prisional do Km 30 e disseram que era necessário testes de ADN para provar que os filhos eram dele.
Fizemos os testes, infelizmente, passados mais de dois meses, ninguém nos dá uma resposta satisfatória. É sempre amanhã, amanhã e as crianças choram todos os dias com saudade do pai, vaio faltando comida em casa, é preciso que o governo resolva o problema dos nossos parceiros, eles não são gatunos, são pessoas que têm famílias e sofrem como qualquer outro angolano”, pediu.
Como estas duas senhoras, estão mais de 30 mulheres que cercam o portão da cadeia do km 30, acompanhados com os seus filhos, alguns com apenas dias de vida.
Os familiares dos detidos reclamam que, desde a última reportagem que o Na Mira do Crime fez àquele estabelecimento prisional, às senhoras foram proibidas de estar a pouco mais de 100 metros da cadeia, e dizem estar a ser impedidas de ter contacto com os seus familiares.
“Eles (SME) dizem que fomos queixar Aos jornalistas e que agora vamos pagar por isso. Não nos deixam ter contacto com os procuradores e somos maltratadas. É importante que a PGR tenha aqui fora pessoas que contactem directamente às famílias dos detidos para evitar que os nossos direitos sejam constantemente violados”, disseram.
Chantagem e falsas promessas
Algumas angolanas acusam agentes do SME de chantagear e fazer falsas promessas para soltar os seus parceiros.
“Eles dizem que têm métodos de colocar os nossos processos em primeiro lugar para sermos atendidas com urgência. Em troca, pedem valores que rondam dos 100 aos 700 mil kwanzas”, denunciaram.
Outro problema que aflige as senhoras, são as demoras nos resultados de DNA.
“Há pessoas que estão presas há mais de nove meses, outros, mesmo sendo pais de angolanos, os processos de DNA demoram mais de quatro meses”.
Uma fonte da Procuradoria-Geral da República junto da cadeia do SME em Viana, em exclusivo ao Na Mira do Crime, fez saber que os processos de DNA atrasam devido ao volume de trabalho realizado pelo único laboratório do país que faz este tipo de análises.
“Enquanto responsáveis da PGR temos feito o nosso trabalho de forma célere. É claro que entendemos o sofrimento que às nossas irmãs devem estar a passar porque, muitos destes cidadão são o sustento não só dos seus filhos, mas de toda família”, mas, continuou, “é preciso respeitar a lei vigente no país. É assim em todo mundo e Angola não está isolada”.
Quanto a demora dos resultados de DNA, a fonte disse que têm estado em contacto permanente com o laboratório de criminalística, para que a situação seja ultrapassada”.











