Pontas soltas: Agente do SIC que disparou contra própria cabeça estava envolvido numa operação em que foi apreendido "muito dinheiro"
Sebastião Cainhongo de 42 anos de idade, ex-recluso que conviveu com Amílcar Loureiro, o Subinspector do Serviço de Investigação Criminal, colocado na Inspecção Geral, e que disparou contra a sua própria cabeça no interior da Polícia Judiciária Militar, no passado dia 27 de Janeiro do ano em curso, falou em exclusivo ao Na Mira do Crime, como o malogrado tencionava tirar a própria vida.
“Ele desabafou à nossa frente, se a memória não me atraiçoa, no dia 28 de Abril de 2020 nas celas da Direcção Provincial de Investigação Criminal (DPIC), de onde sai no dia 18 de Maio de 2020”, começou por dizer garantindo que na altura eram três reclusos.
“Ele disse que tinham terminado uma missão onde chegaram a adquirir muito dinheiro mas não entrou em detalhes como adquiriram o dinheiro, mas disse-nos que era muito e assumiu que, tal como os outros colegas, também tirou parte deste dinheiro para beneficio próprio”, explicou garantindo que era ele quem chefiava a operação no terreno.
“Ele disse que distribuiu os valores entre os colegas e chefes, até aos que não estavam presentes no terreno, mas estes acharam que os valores eram superiores ao distribuído e, por este facto, deveria dizer o valor exacto encontrado na operação”, contou sublinhando que o malogrado não chegou a revelar os valores em causa e disse que, por chefiar a missão, não deveria dividir as meias com os demais, daí, o desentendimento entre os colegas e a chefia.
“Isso deu azo a fortes suspeitas e uma certa pressão para o colocarem na cadeia”, sustentou.
Oito envolvidos e apenas três detidos
De revelação em revelação, Sebastião Cainhongo explicou que o malogrado denunciou a existência de, pelo menos, oito agentes do SIC envolvidos no esquema, três dos quais, acabaram detidos, sendo que, era ao malogrado a quem recaia toda culpa.
“Ele ficou detido por algum tempo e foi solto por excesso de prisão preventiva, passando algum tempo, voltou a ser chamado pela PGR para esclarecer o destino dos valores, uma acção, segundo o próprio agente Amílcar, atribuída as influências dos seus chefes para crucifica-lo e, deste modo, abriria o jogo.
“O falecido Amílcar foi forçado a se matar. Era um preso vip, recebia muitas visitas de chefes do SIC na cadeia chegando mesmo a denunciar os seus chefes de lhe fazerem um jogo psicológico”, acrescentou, sublinhando que desta acção psicológica resultou numa pressão que o malogrado se viu sem saída.
“No final de tudo ele disse que não iria ficar preso e que a solução seria mesmo se matar. Ele disse mesmo: ‘um dia vocês vão contar a minha história’”, sentenciou.
O que se presumia ser um momento de desespero já que, na cadeia, todos os detidos falam muito e nem sempre chegam a avançar com essas ameaças.
Entretanto, segundo Cainhango, este não foi o caso de Amílcar que jurou de pés juntos que iria tirar a própria vida e assim o fez, em plena unidade militar com um disparo de arma de fogo.
Sebastião Cainhongo acabou por ser solto no dia 26 de Janeiro do ano em curso, da cadeia de Calomboloca, por excesso de prisão preventiva, tendo ficado oito meses no Pavilhão A.
O Caso

O Na Mira do Crime tentou várias vezes ouvir à família, mas esta não que falar. O Serviço de Investigação Criminal continua a tratar o caso de forma sigilosa.








